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Rio Grande do Norte se consolida em energia limpa com 98% renováveis
18 de janeiro de 2026 / 12:33
Foto: Divulgação

O Rio Grande do Norte (RN) estabeleceu-se como uma referência nacional na produção de energia limpa, alcançando a expressiva marca de 98% da energia gerada no estado proveniente de fontes renováveis, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A matriz elétrica potiguar é predominantemente eólica, representando 85,34% da produção total, seguida pela energia solar, que contribui com 12,27%. As termelétricas, responsáveis por 2,36%, englobam fontes fósseis e biomassa, enquanto as pequenas hidrelétricas têm uma participação mínima de 0,04%.

O Rio Grande do Norte responde por cerca de 30% de toda a geração eólica do Brasil, ficando atrás apenas da Bahia, que produz 34%. Isso mesmo com um território significativamente menor, o que demonstra a eficiência do estado na exploração dessas fontes. A presença de inúmeras torres eólicas, principalmente no interior e litoral, além dos primeiros parques que começaram a operar há 20 anos, reforça o protagonismo local no setor.

Especialistas destacam que a alta qualidade dos ventos no RN é um fator crucial para esse sucesso. O diretor do Senai-RN, Rodrigo Mello, ressalta que o estado possui “os melhores ventos do Brasil”, o que possibilita uma significativa concentração de geração, mesmo com um território pequeno. O professor Pedro Mutti, da UFRN, explicou que os ventos alísios que sopram nas regiões tropicais chegam ao RN sem barreiras geográficas relevantes, facilitando a produção eólica.

A energia solar, segunda maior fonte do estado, tem perspectivas de crescimento, beneficiada pela alta incidência solar e baixa nebulosidade da região. No entanto, o limitado tamanho do estado, o sexto menor do Brasil, restringe a expansão dessa fonte em números absolutos. Apesar do amplo potencial, em setembro de 2025 o RN bateu recorde nacional de cortes na geração de energia eólica, fenômeno causado pela limitação na capacidade de escoamento na rede de transmissão. Para avançar, são necessários investimentos governamentais para ampliação das estruturas de escoamento e armazenamento de energia.

Com mais de 400 parques de energia renovável, incluindo 19 parques eólicos em construção e 12 solares, o RN recebeu R$ 10,1 bilhões em investimentos em 2024, focados principalmente na geração eólica. A expectativa é de aporte total de R$ 55,3 bilhões até 2030. Paralelamente, a instalação de placas solares residenciais tem se tornado comum, promovendo economia para consumidores, como evidenciado por um morador de Natal que alcançou redução de até 80% na conta de luz.

A inovação segue também com o registro da primeira licença no Brasil para energia eólica offshore, na costa de Areia Branca, que deve funcionar como projeto piloto com ventos mais constantes e intensos. Além disso, a Petrobras anunciou a construção da primeira planta de hidrogênio renovável em Alto do Rodrigues, com investimento de R$ 90 milhões.

O setor de energias renováveis gerou mais de 13 mil empregos em 2024 no estado, divididos entre os segmentos eólico e solar. Apesar do sucesso, especialistas ressaltam o desafio de garantir que os recursos e benefícios sejam bem distribuídos entre os municípios e a população potiguar. Assim, o RN consolidou sua posição de destaque na produção de energia limpa, impulsionando desenvolvimento econômico sustentável e ambientalmente responsável.

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