
A safra de soja da América do Sul está projetada para alcançar um novo recorde no ciclo 2025/26, consolidando um cenário de ampla oferta global e pressionando os preços internacionais para baixo. Essa avaliação foi divulgada no boletim de janeiro do Itaú BBA, publicado no dia 16, com base em dados atualizados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O relatório destaca que a elevada oferta continua a impactar o mercado de grãos. Para a safra norte-americana 2025/26, o USDA aumentou em 200 mil toneladas a estimativa de produção dos EUA, fixando-a em 116 milhões de toneladas. No entanto, as exportações americanas foram revistos para baixo, projetadas agora em 42,9 milhões de toneladas, uma redução de 16,3% em relação à temporada 2024/25. Consequentemente, os estoques finais dos EUA subiram para 9,5 milhões de toneladas.
Apesar desse ajuste positivo para os Estados Unidos, o foco do mercado permanece na América do Sul. O USDA elevou a projeção da safra brasileira em 3 milhões de toneladas, atingindo um volume recorde de 178 milhões de toneladas para 2025/26. Além disso, as exportações brasileiras foram ampliadas, passando de 112,5 milhões em dezembro para 114 milhões de toneladas em janeiro.
Na Argentina, o plantio da soja já ultrapassou 90% da área prevista, segundo a Bolsa de Cereales. Embora o ritmo tenha sido inferior à média histórica devido ao excesso de chuvas em algumas regiões, as condições das lavouras são positivas, com 35% das áreas consideradas boas e 65% excelentes, números superiores ao mesmo período do ano anterior. As chuvas de janeiro serão determinantes para confirmar o potencial de uma safra plena.
O Paraguai também contribui para esse cenário favorável, caminhando para uma produção expressiva. Assim, a combinação das safras robustas do Brasil, Argentina e Paraguai reforça a expectativa de um volume recorde de soja na América do Sul na temporada 2025/26.
De acordo com o Itaú BBA, a confirmação dessas safras volumosas tende a ampliar a pressão negativa sobre os preços internacionais, mantendo o mercado atento às condições climáticas e à confirmação dos volumes produtivos nos próximos meses.
Além da soja, o boletim aponta que o milho também enfrenta um ambiente de pressão sobre os preços no curto prazo, principalmente devido à supersafra nos Estados Unidos. A produção norte-americana foi revisada para 432,4 milhões de toneladas, contra 425,5 milhões no mês anterior, resultado da produtividade média recorde de 11,7 toneladas por hectare.
Os estoques finais nos EUA subiram 9,8%, totalizando 56,6 milhões de toneladas, melhorando o equilíbrio do mercado global de oferta e demanda, embora o estoque de passagem da safra 2025/26 ainda esteja abaixo da temporada anterior.
No Brasil, apesar do avanço adequado na compra de fertilizantes em algumas regiões, atrasos em outras geram incertezas quanto ao plantio da próxima safra. Mesmo assim, a confirmação da grande produção americana cria um viés baixista para o milho, exigindo atenção redobrada de produtores e agroindústrias para a gestão de riscos e proteção das margens.