
O bloco afro Ilê Aiyê realizou sua tradicional saída pelas ruas do Curuzu, local onde está situada a sede do grupo, em Salvador, na noite do último sábado, 14 de fevereiro de 2026. O evento atraiu uma grande multidão, composta por moradores locais, turistas e celebridades, incluindo a atriz Regina Casé, que marcou presença no desfile e interagiu com os foliões. A saída do Ilê Aiyê é uma festa cheia de significados, com rituais que reforçam a cultura e a religiosidade do grupo.
Durante o desfile, aconteceu o tradicional lançamento de milho branco, pipoca e pó de pemba sobre o público presente, símbolos importantes no culto aos orixás, especialmente Oxalá e Obaluaê. A pipoca está relacionada a Obaluaê e simboliza a cura, a limpeza espiritual e a renovação das energias. Já o pó de pemba e o milho branco são oferecidos para pedir paz, sabedoria e proteção, garantindo uma trajetória segura e abençoada para o bloco ao longo do percurso.
Outro momento significativo da saída do Ilê Aiyê é a soltura das pombas brancas, dedicadas a Oxalá. Este gesto emblemático representa a paz e a liberdade, reafirmando a luta do Ilê Aiyê como um movimento cultural e político que iniciou em 1974, época em que enfrentou preconceitos por ser o primeiro bloco afro do Brasil. As pombas simbolizam esperança e a continuidade da revolução pela valorização da cultura negra, que se expressa por meio da arte, da música e da identidade.
A presença da atriz Regina Casé destacou-se na noite, ela que já havia participado de outro momento importante do Ilê em 2013, quando acompanhou a visita do diretor americano Spike Lee ao bairro da Liberdade. Nesta edição do carnaval, a atriz foi vista tirando fotos com integrantes e admiradores do grupo, além de reforçar sua conexão com a cultura afro-brasileira presente no Ilê Aiyê.
A saída do Ilê Aiyê em Salvador é muito mais que um desfile de carnaval; é uma celebração de identidade, resistência e fé. O grupo segue firme na missão de promover a autoestima da população negra, celebrando suas raízes através de rituais, música e tradição. O evento permanece como um dos momentos mais simbólicos e respeitados do carnaval baiano, reunindo pessoas de todas as partes para prestigiar a história e a cultura afro-brasileira.