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Salvador de 100 anos atrás tinha bondes e aeroporto no mar
29 de março de 2026 / 09:42
Foto: Divulgação

Salvador, que celebra 477 anos neste domingo (29), carrega uma trajetória marcada por intensas transformações ao longo do último século. Comparada à cidade de hoje, a Salvador de 100 anos atrás era muito diferente — menor, mais limitada em infraestrutura e com um ritmo de modernização ainda em construção.

Na década de 1920, a população era cerca de 89% menor do que a atual. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade tinha pouco mais de 283 mil habitantes em 1920, número que saltou para mais de 2,4 milhões em 2022. Esse crescimento acelerado reflete não apenas a expansão urbana, mas também a importância econômica e cultural que Salvador consolidou ao longo do tempo.

Um dos marcos da modernização urbana foi a construção da Avenida Sete de Setembro, inaugurada em 1915. Com cerca de 4,6 km de extensão, a via conectava a Praça Castro Alves ao Farol da Barra, passando por áreas como Campo Grande e Corredor da Vitória. Além de facilitar a mobilidade, a avenida simbolizava um esforço de modernização e embelezamento urbano, substituindo o traçado antigo de ruas estreitas e irregulares.

O transporte também passou por mudanças significativas. Inicialmente, os deslocamentos eram feitos em bondes puxados por animais, que posteriormente foram substituídos por bondes elétricos — estes circularam até 1961. A partir da década de 1920, os ônibus começaram a ganhar espaço, marcando uma transição importante na mobilidade urbana.

Outro destaque curioso da época foi o Hidroporto da Ribeira, inaugurado em 1939 na região da Península Itapagipana. O local funcionava como um terminal para hidroaviões e era frequentado principalmente pela elite. Entre os passageiros ilustres estiveram o então presidente Getúlio Vargas e o ator Errol Flynn. Com o avanço da aviação comercial terrestre, o hidroporto perdeu relevância e acabou sendo desativado.

Na década de 1940, foi implantado o aeroporto terrestre que daria origem ao atual Salvador Bahia Airport, modernizado em 2019 e hoje responsável por movimentar cerca de 20 mil passageiros diariamente, consolidando-se como um dos principais hubs do Nordeste.

Apesar dos avanços estruturais, tecnologias como energia elétrica e telefone demoraram a se popularizar. Inicialmente restritos às camadas mais ricas, esses serviços só se expandiram gradualmente para o restante da população. A chegada dos telefones públicos, os chamados orelhões, em 1972, marcou um avanço na democratização da comunicação — embora esse modelo tenha sido praticamente substituído pelos celulares nas últimas décadas.

Ao observar essa evolução, fica evidente como Salvador passou de uma cidade ainda em processo inicial de urbanização para uma metrópole moderna e complexa. Suas transformações ao longo de mais de um século revelam não apenas avanços em infraestrutura e tecnologia, mas também mudanças sociais profundas que moldaram a identidade da capital baiana como ela é conhecida hoje.

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