
Os desastres ambientais no Brasil causaram prejuízos que chegam a R$ 28 bilhões em 2025, conforme relatório divulgado pela consultoria Aon em fevereiro. A seca foi responsável pela maior parte dessas perdas, impactando diretamente o agronegócio e a matriz elétrica do país. A região amazônica tem enfrentado uma das estiagens mais intensas e prolongadas já registradas. Enquanto o Sudeste apresentou uma recuperação parcial, a situação no Norte ainda sofre grande pressão, afetando a produção agrícola e o abastecimento de água.
A crise hídrica diminuiu significativamente a participação da energia hidrelétrica na matriz elétrica nacional, que tradicionalmente representa cerca de 66%. Em agosto, essa participação caiu para menos de 50%, aumentando a dependência das termelétricas e elevando os custos operacionais do setor elétrico.
No setor agrícola, a estiagem compromete culturas sensíveis ao regime de chuvas, como o café. O Brasil, que é um dos maiores produtores globais da commodity ao lado da Colômbia e do Vietnã, pode ver sua cadeia de suprimentos global afetada pela escassez provocada por esses desastres ambientais. Isso também tende a pressionar os contratos futuros do produto.
A consultoria Aon estima que o país acumulou US$ 139 bilhões em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos. Além disso, uma nova análise aponta que até 54% das colheitas globais podem estar em risco até 2050, caso a escassez hídrica continue elevada.
Em âmbito internacional, as catástrofes climáticas causaram US$ 260 bilhões em perdas econômicas em 2025, o menor valor desde 2015. No entanto, as perdas seguradas somaram US$ 127 bilhões, marcando o sexto ano consecutivo acima de US$ 100 bilhões. Eventos de médio porte, com perdas acima de US$ 1 bilhão, ocorreram com maior frequência, totalizando 49 ocorrências, acima da média histórica. Já os eventos com perdas seguradas bilionárias chegaram a 30, número muito superior à média de 17.
Nos Estados Unidos, os incêndios florestais na Califórnia lideraram os custos globais, registrando US$ 58 bilhões em perdas econômicas e US$ 41 bilhões em perdas seguradas. Tempestades convectivas severas também ultrapassaram os ciclones tropicais como o risco segurado mais custoso do século 21.
Apenas em 2025, a Defesa Civil Nacional decretou centenas de emergências vinculadas a estiagens, enchentes e deslizamentos, incluindo tempestades e vendavais em São Paulo. A seca concentrou a maior parte dos reconhecimentos federais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, afetando o abastecimento e a produção rural.
Dados do Cemaden indicam aumento em episódios de chuvas intensas no Sul e Sudeste, gerando pressão sobre a infraestrutura urbana e a logística. Diante disso, os desastres ambientais no Brasil demandam planejamento permanente e não apenas respostas emergenciais.
A sequência de eventos extremos ao longo de 2025 demonstra que os custos climáticos deixaram de ser um efeito pontual e passaram a integrar a estrutura de risco do país. Quando estiagens, enchentes e tempestades impactam conjuntamente energia, logística e produção agrícola dentro do mesmo ano fiscal, o prejuízo ultrapassa o âmbito setorial e ganha dimensão macroeconômica.
Assim, esses desastres ambientais no Brasil influenciam decisões de investimento, precificação de seguros, planejamento público e projeções de crescimento, consolidando o fator climático como elemento permanente da equação econômica.