
O ano de 2025 no Brasil foi marcado por uma combinação de juros elevados, desafios no comércio exterior e um desempenho histórico do mercado financeiro. A taxa básica de juros, conhecida como Selic, fechou o ano em 15%, o maior patamar desde 2006. Este cenário de juros altos acompanhou uma economia com mercado de trabalho aquecido, renda média em níveis recordes e uma desaceleração gradual da atividade econômica.
Ao longo do ano, a política monetária permaneceu restritiva, com o Banco Central mantendo a Selic em 15% a partir de junho, na tentativa de controlar a inflação, especialmente a dos serviços, que foi pressionada pela baixa taxa de desemprego e pelo aumento na renda da população. Analistas destacam que o juro real alcançou aproximadamente 10% ao ano, situando-se entre os mais elevados globalmente.
No âmbito externo, a economia brasileira sofreu impactos decorrentes do aumento das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Em abril, os EUA instituíram uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, elevando esse percentual para 50% em agosto. Essa medida afetou principalmente exportações do agronegócio e da indústria, mas seu impacto foi mitigado por exceções tarifárias e pela diversificação de mercados. Em novembro, os Estados Unidos reduziram parte dessas tarifas, aliviando a pressão sobre o comércio exterior brasileiro.
O câmbio também teve papel importante em 2025, com o dólar comercial começando o ano acima de R$ 6 e recuando gradativamente até fechar próximo de R$ 5,40. Essa valorização do real diante do dólar foi influenciada pelo diferencial da taxa de juros entre Brasil e Estados Unidos, pelo início do ciclo de cortes de juros promovido pelo Federal Reserve (Fed) e pela entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro.
No mercado de trabalho, o país viveu uma redução contínua na taxa de desemprego, que alcançou 5,4% no trimestre encerrado em outubro, marca histórica desde o início da série em 2012. O rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 3.528, impulsionado pela expansão do emprego formal. Entretanto, empresas enfrentaram dificuldades para contratar mão de obra qualificada, em meio a alta rotatividade e crescimento das formas alternativas de trabalho.
A atividade econômica apresentou sinais de desaceleração ao longo do ano. Embora o PIB tenha apresentado crescimento mais robusto no primeiro trimestre devido ao agronegócio, perdeu ritmo nos trimestres subsequentes. Projeções de instituições financeiras indicam um crescimento entre 1,8% e 2,2% para 2025, com estagnação mais evidente no segundo semestre.
Apesar do cenário de juros elevados, o mercado financeiro brasileiro teve um excelente ano. O índice Ibovespa atingiu níveis recordes no segundo semestre, superando a marca de 164 mil pontos em dezembro. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela entrada de investidores estrangeiros, motivados pelo ambiente global de redução de juros e pelo diferencial de rentabilidade oferecido pelo mercado local. Desta forma, a Selic em 15% e as tarifas dos EUA tiveram papel central na dinâmica econômica brasileira de 2025.