
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pela Planejar, revela que cerca de sete em cada dez brasileiros pretendem comprar, reformar, trocar ou construir um imóvel. O levantamento confirma que o sonho da casa própria segue como uma das principais metas financeiras da população.
Apesar do alto índice de intenção, a confiança para transformar o projeto em realidade varia conforme a renda. Entre os entrevistados da classe A, 69% afirmam se sentir seguros para avançar com a compra, reforma ou construção. Já na classe C, esse percentual cai para 32%, evidenciando a desigualdade no acesso às condições financeiras necessárias para assumir um compromisso de longo prazo, como o financiamento imobiliário.
O estudo ouviu 2 mil pessoas com mais de 18 anos, das classes A, B e C, todas com acesso à internet, em diferentes regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Um dos principais obstáculos apontados pela pesquisa é o comprometimento da renda mensal. Segundo os dados, 60% dos brasileiros já possuem despesas fixas relacionadas a empréstimos, financiamentos ou pagamento de aluguel. Além disso, 34% comprometem mais da metade da renda mensal com esses custos, o que reduz significativamente a capacidade de assumir novas dívidas de longo prazo.
A CEO da Planejar, Ana Leoni, destaca que existe um descompasso entre o desejo de adquirir um imóvel e a preparação financeira necessária para concretizar esse objetivo. Para ela, o planejamento financeiro é essencial para transformar metas em conquistas reais, independentemente da classe social. Isso envolve organização do orçamento, formação de reserva de emergência, análise da capacidade de endividamento e avaliação criteriosa das condições de crédito.
A pesquisa reforça que investir em imóvel continua sendo prioridade para a maioria dos brasileiros. No entanto, também evidencia que, sem preparo financeiro adequado e gestão consciente dos recursos, o sonho da casa própria pode se tornar um desafio ainda maior. O estudo aponta, portanto, para a importância da educação financeira como ferramenta estratégica para viabilizar esse objetivo de forma sustentável.