
A indústria cafeeira brasileira recebeu com otimismo a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de eliminar as tarifas que incidem sobre o café, um movimento considerado essencial para garantir maior segurança comercial e previsibilidade nas relações internacionais. Nesta sexta-feira, 20, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulgou uma nota destacando que a medida fortalece a segurança jurídica e reafirma o respeito às competências legais no comércio exterior.
De acordo com a Abic, a transparência regulatória é vital para setores que dependem de fluxos comerciais estáveis, como o do café, pois assegura o fornecimento da matéria-prima e estimula investimentos em toda a cadeia produtiva. O presidente da entidade, Pavel Cardoso, ressaltou que o setor cafeeiro é global e altamente integrado, e que a previsibilidade, a isonomia e regras claras são fundamentais para manter a estabilidade, fomentar investimentos e proteger o consumidor.
A associação também alertou que ações unilaterais podem provocar incertezas e causar impactos negativos para produtores, indústrias e consumidores finais. No comunicado, a Abic reafirmou seu compromisso com o livre comércio, o diálogo entre nações e o estabelecimento de parcerias equilibradas para promover crescimento econômico e social.
Entretanto, apesar da medida ser favorável, as tarifas que somam 50% — divididas em uma alíquota de 40% mais uma sobretaxa de 10% — continuam vigentes somente para o café solúvel. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) indicam que, em 2025, as exportações brasileiras de café solúvel para os Estados Unidos caíram 28,2%, chegando a 558,7 mil sacas.
Em janeiro de 2026, as exportações de café solúvel para o mercado norte-americano tiveram queda de 13,7%, alcançando 41,2 mil sacas. As vendas de café verde também sofreram efeitos negativos das tarifas, com recuo mais acentuado de 46,7% no mesmo período, totalizando 385,8 mil sacas.
O impacto das tarifas foi especialmente severo entre agosto e novembro, período em que as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos despencaram 55%. No acumulado do ano de 2025, os americanos adquiriram 5,38 milhões de sacas de café do Brasil, volume 33,9% inferior ao registrado em 2024. Essa retração permitiu que a Alemanha assumisse a liderança como principal destino do café brasileiro, ultrapassando os Estados Unidos na lista de mercados consumidores.