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Silos centenários ganham nova vida como moradias no Recife Antigo
12 de janeiro de 2026 / 20:52
Foto: Divulgação

No coração do Recife Antigo, próximo ao Porto do Recife e ao polo de inovação do Porto Digital, os silos centenários do Moinho Recife foram transformados em edifícios residenciais, marcando uma importante renovação urbana. Esses silos, que durante décadas fizeram parte do cenário industrial portuário, agora ganham uma nova função residencial, reforçando a revitalização e a reocupação do bairro histórico. A entrega oficial dos empreendimentos residenciais Silo 215 e Silo 240 ocorreu no dia 6 de janeiro, consolidando um dos projetos mais relevantes da Moura Dubeux na valorização do patrimônio arquitetônico e na oferta de novas oportunidades de habitação no Bairro do Recife.

A transformação dos silos ultrapassa a simples construção civil, sendo um símbolo da capacidade de crescimento da cidade a partir de seu legado histórico. Parados desde o encerramento das operações em 2009, agora esses locais renascem como pontos de convivência, atraindo moradores, visitantes e incentivando o comércio local. O projeto cria um ambiente urbano mais dinâmico, com ruas mais movimentadas e seguras.

Após a inauguração, a chegada dos novos moradores impulsiona uma transformação já iniciada com a instalação de cafés, escritórios e lojas no entorno do Moinho Recife Business & Life. Para Diego Villar, CEO da Moura Dubeux, a conversão dos silos simboliza mais do que lançamentos residenciais: é um novo olhar para o centro histórico, unindo memória e modernidade. Os novos edifícios contam com 251 unidades, entre estúdios e apartamentos de um ou dois quartos, com áreas que variam de 19 a 68 metros quadrados, além de duas lojas comerciais no térreo.

O projeto mantém a autenticidade do formato original dos depósitos de trigo, preservando a volumetria, as curvas e a geometria características dos silos centenários. As áreas comuns oferecem rooftop com passarela, piscinas aquecidas, lounge bar, academia, salão de festas, espaços de convivência e vistas para o mar e a paisagem histórica do Recife. As unidades variam em tamanhos e configurações, sempre respeitando a circularidade das antigas células de armazenamento, reforçando a integração entre o patrimônio histórico e a funcionalidade contemporânea.

Na estrutura do Silo 215, destaca-se o vão central aberto entre os 11 pavimentos, resultante de uma demolição controlada, que cria iluminação natural, ventilação e um diferencial arquitetônico singular. Já no Silo 240, os antigos funis piramidais foram preservados no lobby, conferindo valor estético e emocional ao espaço. As unidades desse silo são formadas pela união de dois ou mais silos, com vistas amplas e infraestrutura moderna que garante conforto e segurança aos moradores.

O desafio técnico foi enorme, já que os projetos precisaram adaptar estruturas centenárias para garantir segurança e funcionalidade. Estudos detalhados e exames avançados foram realizados para avaliar a integridade da edificação, incluindo mapeamento preciso por nuvem de pontos. Intervenções estruturais envolveram vigas de transição, reforços internos, lajes de travamento e ancoragens químicas específicas para as paredes curvas dos silos. No Silo 240, um terço da estrutura precisou ser demolido e substituído para garantir a estabilidade.

Além disso, a obra foi executada em uma logística complexa, considerando a ausência de recuos e a localização em um centro urbano em revitalização. As demolições ocorreram simultaneamente com precisão, utilizando máquinas especiais e equipes treinadas para garantir a qualidade e segurança dos serviços. Os galpões antigos no topo foram removidos e substituídos por rooftops que ampliam as áreas de lazer.

O projeto também incorpora princípios de economia circular, com reaproveitamento de materiais e redução da geração de resíduos. Parte dos materiais retirados foi reutilizada no próprio empreendimento. Sistemas de captação de água da chuva também foram adotados para uso nos processos da obra. O programa MD Social promoveu a qualificação profissional de moradores da comunidade local, com 711 pessoas capacitadas desde 2023 em áreas como carpintaria e hidráulica, com amplo envolvimento feminino. A obra dos silos foi pioneira em oferecer um curso que resultou na contratação dos participantes, destacando o impacto social positivo do projeto.

O Silo 215 foi agraciado com o Prêmio Talento Engenharia Estrutural na categoria Sustentabilidade, um dos maiores reconhecimentos no setor. Também recebeu o Prêmio InovaInfra 2024 pela inovação na reabilitação de estruturas antigas. O projeto atraiu interesse internacional, com visita de engenheiros da Holanda e fez parte da Missão Empresarial do Enredes como estudo de caso em engenharia e requalificação urbana.

Segundo Diego Villar, essa transformação unifica o patrimônio histórico, a engenharia avançada e a sustentabilidade, criando uma referência para outras cidades brasileiras. O Bairro do Recife ressurge como espaço de moradia, inovação e convivência, consolidando um legado para a cidade e inspirando futuras iniciativas de retrofit e reuso urbano, com uma visão integrada, vibrante e humana para o futuro.

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