
Após dois meses de paralisação, as máquinas de produção de mel da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), localizada em Picos, no Piauí, foram religadas na sexta-feira (20). A retomada ocorre logo após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump, medida conhecida como tarifaço de Trump. Essa decisão representou um alívio para os 840 produtores da cooperativa, que enfrentavam dificuldades para renovar contratos devido ao impacto financeiro da sobretaxa.
Mesmo com a supressão do tarifaço de Trump, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10%, que em apenas um dia foi aumentada para 15%. Especialistas afirmam que, apesar dessas mudanças, os produtos brasileiros ainda serão taxados com uma sobretaxa de 15%. Segundo Sitônio Dantas, diretor da cooperativa, a incerteza sobre as tarifas tem prejudicado a retomada das vendas e os contratos mais recentes foram firmados ainda no início de 2025.
Sitônio também ressaltou que a Casa Apis é líder mundial na produção de mel orgânico e que isso evitou um impacto ainda maior diante das tarifas. Nos últimos três anos, foram responsáveis por 90% do mel orgânico que os EUA adquiriram globalmente, evidenciando a importância do produto brasileiro no mercado americano. Além desse fator, a produção local sofreu uma queda de 35% causada pela seca extrema, passando de 10 mil para 6,5 mil toneladas neste ano. A expectativa é que, com a redução das tarifas e condições climáticas mais favoráveis, as exportações de mel sejam retomadas ainda em fevereiro.
Anteriormente, algumas categorias de produtos brasileiros haviam sido excluídas do tarifaço, mas o mel não tinha sido contemplado. A recente decisão que removeu as taxas elevadas também favorece outros itens como café solúvel, uva e pescados. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, acredita que a suspensão das tarifas será determinante para destravar as negociações em curso e que os efeitos positivos podem ser percebidos já em março.
O histórico dessa política tarifária mostra que a partir de abril de 2025 foram aplicadas taxas crescentes sobre produtos brasileiros, culminando em um aumento de 50% em julho para diversos itens. Depois de negociações entre os presidentes Trump e Lula, algumas tarifas foram reduzidas em novembro. No entanto, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da base legal utilizada para tarifas amplas, derrubando a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40%. Posteriormente, Trump implementou novas tarifas globais, chegando a 15%, justificadas por ele como compensação por práticas comerciais consideradas injustas. Essa sequência de ações afetou consideravelmente o mercado de mel do Piauí, que agora busca recuperar sua competitividade no exterior.