João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Taxa de condomínio cresce quase 25% e inadimplência atinge pior nível
21 de dezembro de 2025 / 13:55
Foto: Divulgação

Os custos para morar em condomínio no Brasil continuam aumentando, enquanto o número de moradores com dificuldades para manter as taxas em dia subiu significativamente. De acordo com o Censo Condominial 2025/2026, que utiliza dados do IBGE, Receita Federal e da plataforma uCondo, o país conta com 327.248 condomínios ativos que abrigam cerca de 39 milhões de moradores. Nos últimos três anos, a taxa condominial média teve uma alta de 24,9%, atingindo R$ 516 no primeiro semestre de 2025. Paralelamente, a inadimplência superior a 30 dias chegou a 11,95%, o maior índice registrado na série histórica analisada.

Segundo Léo Mack, diretor de Operações da uCondo, o aumento da inadimplência está diretamente ligado ao atual cenário econômico, marcado por níveis recordes de endividamento das famílias brasileiras. Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), reforça que as dificuldades financeiras fazem com que muitos condôminos adiem o pagamento da taxa condominial. Além da elevação dos custos, o levantamento também evidenciou uma maior demanda por serviços nos condomínios: somente nas unidades que utilizam a plataforma uCondo foram feitos mais de 308 mil chamados em 2025, relacionados principalmente a solicitações administrativas, manutenção e reclamações.

O setor condominial impacta diretamente a economia, com cerca de 500 mil pessoas empregadas em todo o país. A remuneração média dos síndicos, sejam moradores ou profissionais atuantes formalmente ou informalmente, é de R$ 1.520. Ainda segundo Léo Mack, esse valor não reflete adequadamente a complexidade e as responsabilidades da função, tanto técnicas quanto administrativas.

Especialistas alertam para as consequências do atraso no pagamento da taxa condominial. De acordo com Rodrigo Palacios, especialista em Direito Imobiliário, desde o Código de Processo Civil de 2015 a dívida condominial é considerada título executivo extrajudicial, o que permite a cobrança judicial imediata. O morador inadimplente pode sofrer penhora e, em casos extremos, perder o imóvel. Ermiro Ferreira Neto, doutor em Direito Civil pela USP, recomenda que o condômino busque diálogo com a administração o quanto antes, pois o síndico, com autorização da assembleia, pode negociar acordos e parcelamentos para evitar maiores problemas.

Para prevenir a inadimplência, especialistas indicam que a taxa de condomínio seja tratada como uma despesa fixa essencial no orçamento familiar, com controle rigoroso e a criação de uma reserva financeira para imprevistos. Em caso de dificuldades, a negociação rápida é fundamental para evitar o acúmulo da dívida e custos extras com juros e ações judiciais. Quando a situação financeira está muito comprometida, pode ser necessário considerar a mudança para um imóvel com despesas menores.

Além da inadimplência, o censo mostrou que os conflitos também estão em crescimento, representando 28% dos chamados registrados. As principais reclamações envolvem barulho, vagas de garagem, uso das áreas comuns, animais de estimação e a convivência entre vizinhos. Para Rodrigo Palacios, a mediação extrajudicial deve ser a primeira alternativa, reservando a intervenção da Justiça para casos extremos de abuso, dano ou reincidência. Advertências, multas e acordos internos são soluções eficazes para a maioria dos conflitos.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.