
Você já parou para pensar quanto do seu tempo de trabalho é necessário para garantir o básico na mesa? Em Natal, esse indicador ajuda a entender melhor o custo de vida e o poder de compra da população.
De acordo com levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, um trabalhador na capital potiguar precisou dedicar 83 horas e 43 minutos de trabalho por mês para adquirir a cesta básica em fevereiro de 2026. Esse número coloca Natal entre as capitais onde se trabalha menos tempo para comprar alimentos essenciais no país.
O custo médio da cesta básica na cidade foi de R$ 616,84, o que corresponde a 41,14% do salário mínimo líquido (já com desconto de 7,5% da Previdência). Esse percentual está abaixo da média nacional, que ficou em 46,13%, indicando um impacto relativamente menor no orçamento dos trabalhadores locais.
Apesar disso, houve um aumento de 3,52% no preço da cesta entre janeiro e fevereiro. Por outro lado, na comparação com o mesmo período do ano anterior, foi registrada uma queda de quase 5%, mostrando uma oscilação importante nos preços ao longo do tempo.
No cenário nacional, São Paulo lidera como a capital onde se exige mais tempo de trabalho para adquirir a cesta básica, seguida por Rio de Janeiro e Florianópolis. Já Aracaju apresenta o menor comprometimento da renda, com 37,54% do salário mínimo destinado à alimentação.
Outro dado relevante do estudo aponta que o chamado “salário mínimo ideal”, necessário para cobrir todas as despesas básicas de uma família, deveria ser de R$ 7.164,94 — cerca de quatro vezes o valor atual de R$ 1.621. Esse cálculo tem como base o custo da cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo.
Esses números evidenciam como o custo da alimentação pesa no orçamento das famílias brasileiras e reforçam a importância de acompanhar esses indicadores. Fatores externos, como instabilidades econômicas globais — incluindo conflitos no Oriente Médio — também podem influenciar diretamente os preços dos alimentos.
No fim das contas, o tempo de trabalho necessário para comprar comida vai além de um simples número: ele é um termômetro da qualidade de vida e das condições econômicas enfrentadas pela população.