
O preço do petróleo teve um avanço superior a 4% nesta quarta-feira (19), impulsionado pelas crescentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã, além do insucesso nas negociações entre Rússia e Ucrânia em Genebra. Para contratos com entrega em abril de 2026, o petróleo foi negociado em torno de US$ 71 a US$ 72, com fechamento recente em aproximadamente US$ 71,67, enquanto o WTI oscilou entre US$ 65 a US$ 66. No dia anterior, ambos os contratos haviam atingido mínimas de duas semanas, aumentando a volatilidade no mercado. Essa mudança repentina no humor dos investidores reestabeleceu o risco geopolítico como um fator central na formação do preço do petróleo, incluindo a possibilidade de interrupção no fornecimento global. Essa percepção explica a rápida reação dos preços diante das notícias sobre exercícios militares e discussões nucleares.
A agência iraniana Fars reportou que Irã e Rússia realizarão exercícios navais no Mar de Omã. Além disso, houve relatos sobre o fechamento temporário de trechos do Estreito de Ormuz, rota estratégica essencial para o transporte de barris na comercialização internacional. Como o Estreito de Ormuz concentra uma significativa parcela das exportações energéticas do Oriente Médio, qualquer bloqueio aumenta o prêmio de risco embutido no preço internacional do barril. Caso a interrupção se prolongue, o valor do barril poderia chegar a US$ 150. Dessa forma, o preço do petróleo passa a refletir não apenas as forças de oferta e demanda, mas também os cálculos estratégicos entre os governos envolvidos.
De acordo com o Eurasia Group, há 65% de probabilidade de ataques militares dos EUA contra o Irã até o fim de abril. John Kilduff, da Again Capital, afirmou que os investidores estão atentos ao envio de equipamentos militares para a região. Apesar da possibilidade de negociações diplomáticas seguir aberta, o preço do petróleo continuará sensível a quaisquer anúncios relacionados a sanções, bloqueios marítimos ou escaladas bélicas. O mercado futuro tende a antecipar os movimentos antes mesmo de mudanças concretas na produção. Além disso, o preço do petróleo influencia diretamente a inflação, as políticas monetárias e o custo do transporte nas economias importadoras. Caso o risco geopolítico persista, os bancos centrais podem rever suas projeções para energia e combustíveis.