
O mercado de trabalho temporário no Brasil apresentou um crescimento expressivo ao longo de 2025, consolidando-se como um dos principais mecanismos de absorção de mão de obra em um cenário econômico marcado por transformações estruturais e demandas cada vez mais flexíveis. Ao todo, foram firmados mais de 2,5 milhões de contratos temporários no país, o que representa uma expansão de 4,5% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM). Esse desempenho reforça a relevância do setor não apenas como alternativa de curto prazo para trabalhadores, mas também como estratégia de gestão de pessoas amplamente adotada pelas empresas.
Um dado que chama atenção é o número de aproximadamente 500 mil trabalhadores temporários efetivados após o encerramento de seus contratos, evidenciando que esse tipo de vínculo tem funcionado, na prática, como uma porta de entrada para o emprego formal. A efetivação demonstra que, além de suprir necessidades pontuais, o trabalho temporário vem sendo utilizado pelas empresas como instrumento de avaliação de talentos, reduzindo riscos na contratação e permitindo maior alinhamento entre empregador e profissional.
No último trimestre do ano, entre os meses de outubro e dezembro, período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo e da atividade econômica, o volume de contratos temporários atingiu 522 mil admissões, um crescimento de 5,1% em comparação ao mesmo intervalo de 2024, quando foram registrados 497 mil contratos. Esse avanço reflete diretamente a intensificação das operações no final do ano, especialmente em setores que enfrentam picos sazonais de demanda.
Entre os principais vetores desse crescimento, destaca-se o comércio eletrônico, que continua em forte expansão no Brasil. O avanço da digitalização da economia, aliado às mudanças no comportamento do consumidor — cada vez mais habituado às compras online —, impulsionou a demanda por trabalhadores temporários nas áreas de logística, armazenagem, transporte e distribuição. Centros de distribuição, operadores logísticos e empresas de tecnologia voltadas ao e-commerce ampliaram suas equipes para dar conta do aumento no volume de pedidos, especialmente em datas promocionais e no período natalino.
Além do e-commerce, grandes redes varejistas, a agroindústria e o setor de turismo também tiveram papel relevante na manutenção do ritmo de contratações ao longo de 2025. No varejo físico, datas comemorativas e campanhas promocionais exigiram reforço nas equipes de vendas e atendimento. Já a agroindústria demandou mão de obra temporária para atender ciclos de safra e processamento, enquanto o turismo foi impulsionado tanto pelo aumento das viagens internas quanto pela retomada mais consistente do fluxo de visitantes em determinadas regiões do país.
De acordo com a ASSERTTEM, os números confirmam que o trabalho temporário se tornou uma ferramenta estratégica essencial para as empresas lidarem com a sazonalidade, as oscilações econômicas e a necessidade de maior agilidade operacional. Alexandre Leite Lopes, presidente da entidade, ressaltou que o crescimento das contratações em 2025 foi fortemente influenciado pelas demandas típicas do final do ano, como o aumento do consumo, a intensificação das operações logísticas ligadas ao comércio eletrônico e o aquecimento do turismo.
Lopes também chamou atenção para um desafio importante enfrentado pelo setor: o baixo índice de desemprego, que tem dificultado a disponibilidade de mão de obra, sobretudo para funções operacionais, inclusive em contratos temporários. Nesse contexto, as agências especializadas em trabalho temporário desempenham papel fundamental ao conectar empresas a profissionais qualificados, agilizando processos de recrutamento e seleção e garantindo maior assertividade nas contratações.
Por fim, o presidente da ASSERTTEM destacou que o desempenho individual dos trabalhadores é determinante para as chances de efetivação. As empresas tendem a valorizar profissionais que demonstram responsabilidade, comprometimento, engajamento, dedicação e disposição para aprender. Essas características não apenas aumentam as possibilidades de contratação ao final do contrato temporário, como também fortalecem a empregabilidade do trabalhador no médio e longo prazo, reforçando o papel do trabalho temporário como um importante caminho de inserção e progressão no mercado de trabalho brasileiro.