
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou, na manhã do dia 19, a liberação de R$ 152,4 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para as obras da ferrovia Transnordestina. Este valor integra uma parcela contratual total de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 806 milhões já haviam sido repassados anteriormente à concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA). Com esse novo repasse, o total liberado pela Sudene ao projeto alcança R$ 6,6 bilhões, incluindo R$ 800 milhões originários do extinto Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). O compromisso total da autarquia com a ferrovia está estimado em R$ 7,4 bilhões até 2027.
A decisão foi tomada pela Diretoria Colegiada da Sudene em reunião ordinária. Segundo Heitor Freire, diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais, a TLSA apresentou as comprovações física, financeira e contábil da execução das obras, devidamente atestadas pelo Banco do Nordeste, agente operador do FDNE no empreendimento. A verificação prévia dessas comprovações é uma condição contratual necessária para cada liberação de parcela.
Com extensão projetada de mais de 1,2 mil quilômetros, a ferrovia Transnordestina fará a ligação entre Eliseu Martins, no Piauí, e o Complexo do Pecém, no Ceará, formando um corredor logístico para escoar a produção regional. Esta rota atravessa o semiárido nordestino, conectando regiões agropecuárias do interior do Piauí e Ceará a um porto com capacidade de exportação direta para mercados internacionais, o que reduz significativamente o custo do frete de grãos, minerais e insumos agrícolas.
A execução física da obra está 100% contratada. Recentemente, a TLSA assinou ordens de serviço para os lotes 9 (trecho Baturité–Aracoiaba, 46 km) e 10 (Aracoiaba–Caucaia, 51 km), considerados os de maior complexidade técnica no projeto e fundamentais para a conclusão da primeira fase. Atualmente, 326 quilômetros estão em obras, com mais de 5 mil trabalhadores envolvidos. A concessionária projeta completar mais 100 quilômetros até abril de 2026, dando prioridade ao lote que conecta Piquet Carneiro a Quixeramobim, no Ceará, com 51 km.
A Transnordestina já iniciou testes no transporte de cargas como milho, milheto, sorgo, calcário agrícola e gipsita. A operação comercial completa dependerá da finalização dos trechos em construção e da integração dos segmentos já concluídos ao traçado total.
A Sudene é a principal financiadora da Transnordestina por meio do FDNE, um fundo constitucional direcionado ao financiamento de projetos de infraestrutura e produção no Nordeste. O FDNE realiza liberações condicionadas à comprovação de execução física e financeira e exige da concessionária a apresentação de relatórios auditados a cada parcela liberada. O Banco do Nordeste é o agente operador, responsável pela análise técnica dessas comprovações antes da deliberação da Diretoria Colegiada.
O volume total previsto de R$ 7,4 bilhões da Sudene ao projeto é o maior compromisso individual do FDNE com uma obra de infraestrutura em sua história. Os R$ 800 milhões provenientes do Finor foram incorporados ao saldo liberado, representando recursos transferidos antes da extinção do fundo e reutilizados na estrutura atual de financiamento.
Até o momento, a TLSA não divulgou uma data pública para a conclusão completa da ferrovia e o início da operação comercial plena entre Eliseu Martins e Pecém. O cronograma depende da continuação dos trabalhos nos lotes em andamento e da entrega sequencial dos trechos contratados.