
Troncos petrificados com aproximadamente 280 milhões de anos foram encontrados no município de Miguel Alves, localizado no interior do Piauí, na última quinta-feira (29). A descoberta ocorreu após moradores da zona rural notificarem as autoridades locais sobre os achados. A prefeitura, por sua vez, solicitou a presença do professor de paleontologia Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), para avaliar o material. O professor Cisneros confirmou que os fósseis pertencem ao Período Permiano da Era Paleozoica, sendo, portanto, mais antigos que os dinossauros.
Durante a análise inicial no local, o pesquisador identificou pelo menos dez troncos petrificados, todos pertencentes ao grupo das gimnospermas, plantas aparentadas com os pinheiros e as araucárias que existem atualmente. Essa vegetação difere bastante das espécies que predominam hoje no Piauí. Notavelmente, alguns dos troncos encontrados estão em posição vertical, o que indica que estão em posição de vida, um tipo de registro fóssil considerado raro mundialmente e já observado na Floresta Fóssil de Teresina.
Para o professor, descobertas como essa oferecem uma melhor compreensão da história geológica, climática e ambiental do Nordeste brasileiro e do planeta como um todo. Os fósseis sugerem que a região do Piauí já foi coberta por uma vegetação muito distinta da atual, com condições naturais completamente diferentes. “Quem imaginaria que o Piauí um dia esteve coberto por pinheiros e araucárias? Os fósseis recém-descobertos reforçam esse modelo”, ressaltou o pesquisador.
Cisneros ainda destacou que, com investimentos adequados, a criação de um museu ou parque paleontológico na região pode transformar o local em um importante ponto turístico, gerando também oportunidades econômicas para a população local. Assim, a identificação dos troncos petrificados de 280 milhões de anos no interior do Piauí não apenas enriquece o conhecimento científico, mas também pode impulsionar o desenvolvimento regional.