
A Universidade Estadual do Piauí (Uespi) deverá implementar ainda em 2024 um amplo programa com o objetivo de zerar a demanda de disciplinas que atualmente estão sem professores designados. A iniciativa surge diante de um cenário preocupante: aproximadamente 200 disciplinas não contam, no momento, com docentes responsáveis, situação que impacta diretamente o planejamento acadêmico e a regularidade da oferta de componentes curriculares nos cursos de graduação.
Para enfrentar essa realidade, o Governo do Estado instituiu o Programa de Gestão Especial de Oferta (PGEO), uma medida emergencial voltada à recomposição imediata da força de trabalho docente. O programa prevê o pagamento de bolsas para professores ativos, inativos e aposentados, além da possibilidade de participação de professores visitantes e técnicos com qualificação compatível com as disciplinas ofertadas. A proposta busca aproveitar a experiência e a capacidade técnica desses profissionais para suprir, de forma ágil, as lacunas existentes.
A execução do PGEO será realizada de forma semestral, por meio da publicação de editais específicos que contemplarão os 12 campi da universidade, distribuídos em diferentes regiões do estado. Essa estratégia permitirá mapear, a cada semestre, as principais demandas acadêmicas e direcionar os recursos humanos conforme as necessidades de cada unidade, garantindo maior equilíbrio na oferta de disciplinas.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou a destinação de R$ 3,2 milhões para viabilizar a execução do programa. O investimento demonstra o compromisso do governo estadual com o fortalecimento do ensino superior público e com a melhoria das condições de funcionamento da universidade. Além disso, a gestão estadual já realizou a nomeação de mais de 47 professores efetivos, elevando o número total de docentes da instituição para mais de mil profissionais.
De acordo com informações da própria Uespi, após ajustes administrativos e planejamento acadêmico, estão previstas 3.621 disciplinas para o primeiro semestre de 2026. Atualmente, a universidade conta com 1.006 docentes efetivos e 191 professores substitutos. Apesar desse quantitativo, a demanda por ampliação do quadro permanece significativa, especialmente diante da expansão de cursos e do aumento do número de estudantes matriculados nos últimos anos.
A Pró-Reitoria de Ensino e Graduação destacou que o PGEO possui caráter temporário e emergencial. A medida foi pensada como uma solução imediata até que seja realizado um concurso público mais abrangente para professores efetivos, garantindo maior estabilidade e continuidade às atividades acadêmicas. O pró-reitor Arnaldo Brito ressaltou que a prioridade é atender à necessidade urgente dos estudantes, assegurando que nenhuma disciplina deixe de ser ofertada por falta de professor.
O reitor da instituição, Paulo Henrique Pinheiro, reafirmou o compromisso da gestão em zerar a carência de docentes até o final de 2026. Para isso, além do PGEO, estão previstas ações complementares, como a realização de seletivos para professores substitutos e a organização de concurso público para provimento de cargos efetivos. Segundo a administração superior, a meta é estruturar um quadro docente suficiente para atender não apenas às demandas atuais, mas também ao crescimento projetado da universidade.
A implementação do programa de bolsas representa, portanto, uma estratégia fundamental para assegurar a qualidade do ensino na Uespi. Ao garantir professores para todas as disciplinas, a universidade busca evitar atrasos na formação acadêmica dos estudantes, reduzir índices de evasão e fortalecer sua missão institucional de promover educação superior pública, gratuita e de qualidade em todo o estado do Piauí.