
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC), utilizando resíduos de frutas como abacaxi e manga. Esta tecnologia, que já possui pedido de patente, surge como alternativa sustentável à carboximetilcelulose (CMC), amplamente empregada na indústria.
O diferencial deste método está no aproveitamento integral da biomassa vegetal, incluindo tanto a celulose quanto a hemicelulose, que normalmente são descartadas. Isso não só aumenta o rendimento do processo como também reduz os custos. A nova tecnologia possibilita a produção da CMHC com menor consumo de reagentes químicos, redução no uso de energia, menor geração de efluentes e maior rendimento do produto final.
O desenvolvimento ocorreu durante o mestrado da pesquisadora Elaine Souza e contou com a coordenação do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN). De acordo com a professora Luciene Santos, o processo valoriza resíduos abundantes no Brasil, fomentando a economia circular e contribuindo para a sustentabilidade.
A carboximetil holocelulose (CMHC) é um biopolímero que apresenta propriedades semelhantes à CMC, usado como espessante, estabilizante e agente formador de filme. A inovação da UFRN está em incorporar a hemicelulose no produto, o que eleva o aproveitamento da matéria-prima, diminui possibilidades de desperdício industrial e reduz o custo da produção.
Esta tecnologia tem potencial para atender a diversos setores industriais, incluindo a indústria alimentícia, para aplicações em sorvetes, bebidas lácteas e sobremesas; cosméticos e higiene pessoal, como cremes, xampus e hidratantes; setor farmacêutico, em formulação de comprimidos e colírios lubrificantes; e a indústria do petróleo, em fluidos industriais e aplicações técnicas em perfuração. Além disso, a CMHC pode ser utilizada na fabricação de embalagens biodegradáveis, ressaltando seu aspecto sustentável.
O processo já alcançou o nível de maturidade tecnológica TRL 4, com validação em ambiente laboratorial e resultados estáveis e reproduzíveis. Atualmente, os pesquisadores buscam escalar a produção para o nível industrial, testar novas aplicações e desenvolver derivados da celulose e hemicelulose.
Essa inovação está alinhada à economia circular e reforça o papel da universidade na criação de soluções sustentáveis, transformando resíduos agroindustriais em insumos de alto valor agregado. A pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Química da UFRN, envolvendo estudantes e pesquisadores em diferentes níveis.
Com essa tecnologia, a UFRN aponta para um modelo industrial baseado no aproveitamento de resíduos, redução dos impactos ambientais e inovação em materiais sustentáveis. O Rio Grande do Norte se destaca assim como referência em pesquisa voltada à sustentabilidade e indústria verde, conectando ciência, economia e preservação ambiental.