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Unesco reconhece acervo da escravidão preservado pelo Arquivo Público da Bahia
22 de fevereiro de 2026 / 14:54
Foto: Divulgação

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura oficializou o reconhecimento do acervo documental sobre o período da escravidão preservado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB). A coleção passou a integrar o Registro Regional da América Latina e Caribe do Programa Memória do Mundo, distinção concedida em 20 de outubro de 2023.

O conjunto documental reúne passaportes e registros de pessoas escravizadas, libertas, livres e africanas que viveram entre 1821 e 1889, período decisivo da história brasileira, marcado por intensas transformações políticas e sociais, incluindo o processo de abolição. Esses documentos são fontes primárias fundamentais para compreender fluxos migratórios forçados, trajetórias individuais e dinâmicas da escravidão no Brasil.

O reconhecimento representa o primeiro título internacional obtido pelo Arquivo Público da Bahia, fortalecendo a posição da instituição como referência na preservação documental. Além disso, o acervo passa a representar o Brasil na candidatura ao Registro Internacional do Programa Memória do Mundo, ampliando sua visibilidade global.

Em 2025, o projeto “Fragmentos da Memória” inovou ao utilizar inteligência artificial para reconstruir visualmente personagens descritos nos documentos históricos. A iniciativa gerou 40 imagens baseadas em indivíduos reais do período colonial, considerando elementos como tecidos utilizados pelas pessoas escravizadas e marcas corporais africanas registradas em seus rostos e braços. A proposta buscou humanizar os registros, transformando dados arquivísticos em narrativas visuais capazes de aproximar o público contemporâneo dessas histórias.

Paralelamente, o Arquivo Público do Estado de São Paulo também participa da seleção internacional do programa com a candidatura do acervo do abolicionista Luiz Gama, ampliando a presença brasileira na disputa pelo reconhecimento global.

O Programa Memória do Mundo é uma iniciativa da Unesco criada para incentivar a cooperação entre instituições culturais e promover a preservação e o acesso público a documentos de grande relevância histórica. O programa reconhece arquivos que possuem valor excepcional para a memória coletiva da humanidade.

A inclusão do acervo baiano no registro regional reforça a importância histórica desses documentos e contribui para a valorização do patrimônio documental relacionado à escravidão no Brasil. Ao preservar e difundir esses registros, o Arquivo Público do Estado da Bahia cumpre um papel essencial na manutenção da memória histórica e na reflexão sobre as consequências sociais e culturais desse período, garantindo que essas histórias permaneçam acessíveis às futuras gerações.

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