
Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX Ante Consultoria, projeta que a universalização dos serviços de água e esgoto na Paraíba pode gerar até R$ 25 bilhões em ganhos socioeconômicos até 2040. A pesquisa destaca impactos significativos em diferentes setores, como renda, produtividade, saúde, mercado imobiliário, turismo e qualidade ambiental, posicionando o saneamento como peça fundamental para o desenvolvimento do estado. No entanto, esses resultados dependem do aumento dos investimentos e da ampliação efetiva da cobertura dos serviços.
Entre 2000 e 2024, a Paraíba avançou na ampliação do saneamento, com cerca de 808 mil pessoas tendo acesso à água tratada e 928 mil à coleta de esgoto. Apesar disso, importantes déficits permanecem, já que 1,7 milhão de habitantes ainda não contam com acesso à água e 2,6 milhões não possuem coleta de esgoto, correspondendo a 41,3% e 62,8% da população, respectivamente.
A análise revela que entre 2025 e 2040 os benefícios resultantes da universalização do saneamento deverão alcançar R$ 46,2 bilhões, superando os custos estimados de R$ 20,7 bilhões e gerando um saldo positivo superior a R$ 25,4 bilhões. A longo prazo, os ganhos totais podem ultrapassar R$ 52,5 bilhões. Para cada real investido em saneamento, o retorno econômico projetado é de R$ 4,30, reflexo da melhoria da saúde da população, redução de doenças e custos públicos, e estímulo ao crescimento econômico.
O setor ainda deve impactar diretamente a renda e a produtividade dos trabalhadores, especialmente entre os informais, com ganhos estimados em R$ 11,8 bilhões até 2040. A universalização também tem potencial para gerar R$ 18,3 bilhões em renda direta, indireta e induzida na cadeia produtiva. Dados revelam que a renda média na Paraíba é quase o dobro para quem tem acesso ao saneamento, com R$ 2.653, contra R$ 1.321 para quem não possui esse serviço.
Além disso, a expansão do saneamento pode proporcionar uma economia de mais de R$ 407 milhões na saúde pública, com menos internações e tratamentos de doenças relacionadas à água contaminada. Impactos positivos também são esperados no mercado imobiliário, com valorização estimada de R$ 1,58 bilhão até 2040, e no turismo, que pode acumular ganhos de até R$ 1,7 bilhão ao melhorar a qualidade ambiental de rios e praias.
O estudo evidencia ainda disparidades regionais importantes. João Pessoa responde por 45,3% dos ganhos totais, enquanto regiões como Sousa-Cajazeiras apresentam potencial per capita superior a R$ 8 mil por habitante ao ano. O avanço do saneamento reduz desigualdades, melhora a qualidade de vida e transforma as rotinas familiares, especialmente das mulheres e das crianças.
Contudo, a expansão do saneamento na Paraíba depende do aumento dos investimentos, atualmente em R$ 90 por habitante ao ano, muito abaixo dos R$ 225 necessários para a universalização. A presidente do Instituto Trata Brasil destaca a necessidade de continuidade e priorização política para superar este déficit histórico, além da importância das parcerias público-privadas com regulação técnica e independente para garantir serviços de qualidade.
Em suma, o saneamento básico é apontado como um motor silencioso do desenvolvimento estadual, impactando saúde, educação, renda e qualidade de vida. O estudo reforça a urgência de ampliar o debate público e acelerar investimentos para que a Paraíba alcance melhores indicadores sociais e econômicos no futuro.