
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) decidiu não recomendar a inclusão da vacina contra herpes-zóster no SUS. Essa decisão foi formalizada em portaria publicada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde no Diário Oficial da União em 12 de janeiro de 2026.
Essa medida mantém o posicionamento já apresentado no relatório preliminar divulgado pela Conitec em julho de 2025. Após essa divulgação, o tema passou por uma consulta pública realizada entre setembro e outubro, período no qual foram registradas 8.797 contribuições da população. Mesmo após analisar essas manifestações, o parecer final reafirmou a recomendação de não incorporação da vacina.
No parecer técnico, a Conitec reconheceu a eficácia do imunizante na prevenção do herpes-zóster, principalmente em grupos mais vulneráveis. Contudo, o principal obstáculo para a inclusão da vacina no SUS foi o impacto financeiro que acarretaria ao sistema público. A comissão ressaltou que o custo da vacina comprometeria a sustentabilidade orçamentária do SUS conforme as condições propostas.
A avaliação do impacto orçamentário considerou a oferta de até três milhões de doses anuais, o que equivale à vacinação de 1,5 milhão de pessoas dentro de um universo estimado de 5.456.211 indivíduos elegíveis. O relatório indicou que a vacinação de 1,5 milhão de pacientes no primeiro ano custaria aproximadamente R$ 1,2 bilhão, e no quinto ano o custo para vacinar cerca de 471 mil pacientes restantes chegaria a aproximadamente R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total previsto alcançaria R$ 5,2 bilhões, levando a Conitec a classificar a vacina como não custo-efetiva.
O imunizante avaliado foi o Shingrix, desenvolvido pela farmacêutica GSK. A vacina recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021 e é indicada para adultos com 50 anos ou mais, ou para pessoas a partir de 18 anos com maior risco de desenvolver a doença, como pacientes imunocomprometidos. A proposta submetida à análise previa a oferta da vacina para idosos acima de 80 anos e imunocomprometidos maiores de 18 anos, considerados públicos prioritários. Apesar da decisão da Conitec, a vacina permanece disponível na rede privada.
Atualmente, o SUS disponibiliza vacinas relacionadas ao vírus varicela-zóster apenas na infância, por meio da vacina contra varicela (catapora) e da tetraviral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, conforme o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O herpes-zóster, popularmente chamado de “cobreiro”, é causado pela reativação do vírus da catapora, que permanece dormente no organismo após a infecção inicial. A doença é mais frequente em idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Os sintomas principais incluem dor nos nervos, manchas vermelhas com bolhas na pele, coceira, queimação, febre baixa e mal-estar geral. O diagnóstico no SUS é clínico, e o tratamento visa aliviar a dor e prevenir complicações, utilizando medicamentos sintomáticos ou antivirais, como o aciclovir, em casos de maior risco.
O Ministério da Saúde destaca que, além da vacinação, práticas como higienização das mãos, isolamento do paciente durante a fase ativa da doença e desinfecção de objetos contaminados são importantes para impedir a disseminação do vírus.