
Adolescentes e jovens com idades entre 15 e 19 anos podem receber gratuitamente a vacina contra HPV em Salvador, em uma ação que reforça as políticas públicas de prevenção e promoção da saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as doses estão sendo aplicadas em todas as 162 salas de vacinação espalhadas pela capital baiana, com atendimento garantido até o mês de junho deste ano. A iniciativa busca ampliar a cobertura vacinal e reduzir os riscos associados à infecção pelo papilomavírus humano, especialmente entre adolescentes e jovens que ainda não haviam sido imunizados.
Tradicionalmente, a vacina contra HPV já era ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. No entanto, com o objetivo de recuperar esquemas vacinais incompletos e alcançar quem não se vacinou na idade recomendada, o Ministério da Saúde ampliou a chamada “campanha de resgate”, estendendo a oferta da vacina para jovens de 15 a 19 anos até junho de 2026. Essa ampliação representa um avanço significativo no acesso à imunização e no fortalecimento da prevenção contra doenças relacionadas ao HPV.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, somente em 2025 foram aplicadas 28.697 doses da vacina contra o HPV em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Já entre o público de 15 a 19 anos, foram registradas 1.787 doses, número que evidencia a necessidade de intensificar a divulgação e o incentivo à vacinação nessa faixa etária. A expectativa das autoridades de saúde é que, com a ampliação da campanha, esses números cresçam de forma expressiva nos próximos meses.
Além dos adolescentes e jovens, a vacina contra o HPV também é disponibilizada gratuitamente para outros grupos prioritários. Entre eles estão pessoas com idades entre 15 e 45 anos que utilizam a profilaxia pré-exposição (PrEP) para o HIV, indivíduos imunodeprimidos de 9 a 45 anos — como pacientes transplantados, pessoas vivendo com HIV ou em tratamento oncológico — e pacientes diagnosticados com papilomatose respiratória recorrente (PRR). Essas estratégias ampliam a proteção para populações mais vulneráveis às complicações do vírus.
As unidades de saúde de Salvador funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, facilitando o acesso da população aos imunizantes e permitindo que estudantes, trabalhadores e famílias encontrem horários adequados para a vacinação. A Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de levar documento de identificação e, quando possível, o cartão de vacinação.
O HPV é responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero, que é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Trata-se de uma doença considerada passível de erradicação a longo prazo, desde que sejam mantidas e fortalecidas as estratégias de vacinação, rastreamento periódico e tratamento precoce das lesões precursoras.
Além da prevenção do câncer do colo do útero, a vacina contra o HPV também protege contra outros tipos de câncer, como os de pênis, ânus, orofaringe, vagina e vulva, ampliando seus benefícios para homens e mulheres. Estima-se que mais de 80% da população será infectada pelo HPV em algum momento da vida, embora a maioria das infecções não evolua para câncer.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o HPV acomete cerca de 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens, o que demonstra a ampla circulação do vírus. O imunizante está disponível no SUS desde 2014, quando passou a integrar o Plano Nacional de Imunizações (PNI). Inicialmente, a vacinação era destinada apenas às meninas, mas, em 2017, os meninos também foram incluídos, ampliando a proteção coletiva e reforçando a importância da imunização como estratégia fundamental de saúde pública.