
As vendas de veículos novos no Brasil encerraram o ano de 2025 com um crescimento modesto de 2,1%, resultado que ficou abaixo das expectativas do setor e distante do desempenho registrado em 2024. De acordo com dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram comercializados 2,69 milhões de unidades durante o ano, incluindo carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.
Esse crescimento de 2,1% é significativamente inferior ao avanço de 14,1% observado no ano anterior e também ficou aquém das projeções iniciais da Fenabrave, que estimava um crescimento de 5% para o mercado de veículos novos. Ao longo do ano, a entidade ajustou suas previsões para baixo, chegando a um crescimento estimado de 2,6% em outubro, ainda acima do resultado efetivo.
Além da Fenabrave, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também teve que rever suas expectativas. Inicialmente, a Anfavea projetava um avanço de 6,3%, que depois foi reduzido para 5%, patamar que não foi alcançado pelo mercado ao longo do ano. O principal fator para essa desaceleração foi a alta dos juros, que encareceu as operações de crédito e dificultou o financiamento dos veículos.
Em contrapartida, fatores como a melhora no emprego e na renda, a alta nas vendas para locadoras, e os incentivos do governo federal, como os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros de entrada dentro do programa Carro Sustentável, ajudaram a manter os volumes de vendas ao longo de 2025.
Apesar do crescimento tímido no acumulado do ano, dezembro registrou um desempenho expressivo, com 279,4 mil unidades licenciadas, o maior volume mensal em 11 anos. Esse número representa uma alta de 8,6% em relação a dezembro de 2024 e de 17,1% na comparação com novembro. Desde dezembro de 2014, quando foram vendidas cerca de 370 mil unidades, o mercado não via um volume mensal tão elevado.
O resultado final do ano confirma os desafios enfrentados pelo setor automotivo no Brasil em 2025, em especial pelo impacto da elevação das taxas de juros sobre o crédito, mas também mostra sinais de recuperação pontuais, como o forte desempenho no último mês do ano.