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Vídeos curtos no celular podem prejudicar a saúde dos olhos, aponta estudo
12 de janeiro de 2026 / 21:15
Foto: Divulgação

Um estudo realizado na Índia acendeu um alerta sobre os impactos do consumo prolongado de vídeos curtos em celulares na saúde ocular, indicando que esse tipo de conteúdo provoca uma sobrecarga maior do sistema visual quando comparado a outras atividades realizadas no smartphone. Esse formato de vídeo, amplamente difundido em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, tornou-se parte da rotina diária de milhões de pessoas, especialmente entre jovens adultos, que passam longos períodos rolando a tela de forma contínua.

A pesquisa, publicada no Journal of Eye Movement Research, acompanhou 30 participantes durante uma hora de uso ininterrupto do smartphone, analisando três tipos distintos de atividade: leitura de e-books, visualização de vídeos convencionais e consumo de vídeos curtos, conhecidos popularmente como Reels. Para garantir maior precisão e naturalidade, os pesquisadores utilizaram um sistema portátil de rastreamento ocular, capaz de medir em tempo real a frequência e o intervalo das piscadas, além do diâmetro da pupila, sem interferir no uso habitual do aparelho.

Os resultados mostraram que, em todas as atividades avaliadas, houve uma redução significativa na frequência de piscadas, fator que contribui diretamente para o ressecamento dos olhos e para o cansaço visual. No entanto, o efeito foi mais intenso durante o consumo de vídeos curtos. Nesse grupo, observou-se uma maior variação no tamanho da pupila, indicando um esforço visual mais elevado. Já nas atividades de leitura e nos vídeos mais longos, o diâmetro da pupila permaneceu relativamente estável, sugerindo menor sobrecarga do sistema visual.

De acordo com o oftalmologista Lucas Zago, do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, esses achados estão diretamente relacionados à chamada fadiga ocular digital, também conhecida como astenopia. Esse quadro é provocado pelo esforço contínuo do sistema visual em atividades de curta distância, como o uso prolongado de telas. Segundo o especialista, fatores como a diminuição das piscadas, o esforço constante de foco e o brilho excessivo da tela contribuem para o desenvolvimento dos sintomas.

No caso específico dos vídeos curtos, o impacto tende a ser maior porque esse formato exige adaptações visuais constantes, em razão das mudanças rápidas de imagens, cores, brilho e contraste. Esse processo provoca contrações e dilatações repetidas da pupila, o que sobrecarrega o sistema visual e acelera a sensação de cansaço ocular.

Na prática clínica, profissionais de saúde têm observado um aumento no número de pacientes com queixas relacionadas ao uso intenso de redes sociais, fenômeno que vem sendo chamado informalmente de “reel vision syndrome”. O problema se agrava em um contexto de uso massivo de smartphones. Dados globais indicam que, em 2023, mais de 68% da população mundial já possuía um celular. No Brasil, segundo a PNAD Contínua do IBGE, cerca de 167,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais utilizavam smartphone, o que evidencia a dimensão do impacto potencial desse hábito.

No estudo, 60% dos participantes relataram sintomas físicos como desconforto ocular, dor no pescoço e fadiga nas mãos após o período de uso. Além disso, 83% associaram o consumo excessivo de telas a problemas como ansiedade, distúrbios do sono e exaustão mental, mostrando que os efeitos vão além da saúde ocular.

A curto prazo, os sintomas mais comuns incluem ardor nos olhos, lacrimejamento excessivo ou insuficiente, visão borrada, sensação de areia nos olhos e cefaleia. A longo prazo, especialmente em pessoas predispostas, a redução crônica das piscadas pode agravar quadros de olho seco, comprometendo a lubrificação natural da superfície ocular e a qualidade da visão.

Para minimizar os riscos, especialistas recomendam a adoção da regra 20-20-20: a cada 20 minutos diante da tela, olhar por 20 segundos para um ponto distante cerca de seis metros. Outras medidas importantes incluem ajustar o brilho da tela ao ambiente, evitar o uso do celular no escuro, manter uma distância adequada dos olhos, piscar conscientemente durante o uso e fazer pausas regulares. Em alguns casos, o uso de lágrimas artificiais, sempre com orientação médica, pode ser indicado.

A atenção deve ser redobrada no caso das crianças, cujo sistema visual ainda está em desenvolvimento. Para menores de 2 anos, não há recomendação de exposição a telas, e o uso excessivo na infância está associado a um maior risco de desenvolvimento de miopia. A prática de atividades ao ar livre, aliada ao uso consciente da tecnologia, é considerada essencial para a proteção da saúde ocular nessa fase da vida.

Dessa forma, o estudo reforça que, embora os vídeos curtos sejam atrativos e façam parte da rotina digital moderna, seu consumo excessivo pode trazer impactos significativos à saúde dos olhos, destacando a importância de moderação, pausas regulares e hábitos visuais saudáveis no uso diário de dispositivos móveis.

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