
O plano de expansão de uma das maiores gigantes do setor de atendimento e relacionamento com clientes do Brasil ganhou os holofotes em São Paulo. Durante a realização do evento Ceará Day — promovido pelo Banco do Nordeste (BNB) com apoio institucional da Sudene e do Governo do Ceará —, o fundador e acionista da AeC, Antônio Guilherme Noronha, detalhou o prumo estratégico de crescimento da companhia no Nordeste. O foco central da operação está na consolidação de sua presença no território cearense, onde a empresa opera desde 2014 e projeta saltar de 8 mil para 10 mil colaboradores diretos até o encerramento de 2026.
A trajetória de sucesso da companhia na região está diretamente atrelada a uma forte estratégia de interiorização, buscando praças fora dos grandes centros urbanos. A AeC iniciou suas atividades no estado há doze anos pelo município de Juazeiro do Norte, na região do Cariri, e expandiu de forma ágil as operações para cidades estratégicas como Aracati e Brejo Santo. Ao fixar suas bases no interior, o grupo empresarial fomenta a abertura de postos de trabalho formais e ativa a circulação de renda em municípios com menor densidade econômica.
Linhas do FNE e o suporte financeiro de R$ 85 milhões do BNB
A engenharia financeira necessária para sustentar esse crescimento acelerado conta com um forte componente institucional. Antônio Guilherme Noronha destacou que a parceria com o Banco do Nordeste tem sido um pilar indispensável para viabilizar os investimentos do grupo em infraestrutura urbana e tecnologia de ponta. Atualmente, a AeC mantém cerca de R$ 85 milhões em contratos de financiamento ativos junto ao BNB. Os recursos são injetados diretamente na modernização das instalações físicas de Juazeiro do Norte e no desenvolvimento de softwares voltados para o atendimento remoto (home office), permitindo a captação de mão de obra em pequenas localidades.
O BNB exerce um papel central no desenvolvimento corporativo cearense, aportando anualmente cerca de R$ 10 bilhões no mercado local, a maior parte com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Como o fundo constitucional trabalha com juros médios atrativos na casa dos 10% ao ano — patamar que se situa abaixo da atual taxa Selic —, o crédito torna-se um poderoso indutor de competitividade para investidores privados de grande porte, permitindo que projetos aprovados pela instituição se estendam também para estruturas nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Massa salarial de R$ 120 milhões e inclusão de jovens no mercado
A decisão de escolher o Ceará como polo irradiador de crescimento na região deve-se a um ambiente de negócios favorável que unifica infraestrutura de telecomunicações estável, incentivos governamentais e uma farta disponibilidade de capital humano qualificado. Nos últimos 12 anos, o volume total de investimentos diretos da AeC no Nordeste rompeu a barreira dos R$ 200 milhões, registrando ainda o pagamento expressivo de R$ 120 milhões em massa salarial no acumulado do último ano, o que impulsiona diretamente o comércio de bairro das cidades do interior.
Com uma base de clientes diversificada que atende grandes bancos, fintechs digitais, operadoras de telecomunicação, plataformas de comércio eletrônico e aplicativos de mobilidade, a empresa alia a escala operacional a políticas rígidas de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). O modelo de contratação do grupo prioriza a inserção de jovens em sua primeira experiência no mercado de trabalho formal, exercendo ainda uma forte liderança na igualdade de gênero: as mulheres compõem mais de 60% de todo o quadro funcional da companhia. Presente em oito estados e dez cidades nordestinas, a holding consolida a união entre tecnologia de ponta e impacto social positivo na base da pirâmide econômica regional.
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