
A saúde ambiental e humana no Subúrbio de Salvador acende um sinal de alerta. Uma pesquisa preliminar do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) identificou a presença de cobre em todos os 29 siris coletados na praia de São Tomé de Paripe. O local, um dos destinos mais populares da região, está sob monitoramento desde fevereiro devido ao surgimento de manchas e contaminação química.
Além do metal pesado detectado nos crustáceos, análises do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) também revelaram a presença de nitrato na água da região.
Riscos ao Consumo e Meio Ambiente
Embora os animais não apresentem deformações externas, os níveis de cobre foram detectados nos órgãos internos e tecidos, incluindo as partes consumidas habitualmente pela população local. O professor Francisco Kelmo, responsável pelo estudo, destacou que as concentrações não são baixas, embora a salinidade do mar ajude a reduzir a disponibilidade do metal no ambiente.
O próximo passo dos pesquisadores é expandir a análise para outras espécies marinhas e traçar estratégias de recuperação, como o isolamento ou a remoção definitiva da fonte poluidora.
O Embate sobre a Responsabilidade
O Inema associou a contaminação às atividades de estocagem de granéis sólidos no Terminal Itapuã. No entanto, há um impasse jurídico sobre a autoria do dano:
- Intermarítima: Atual operadora do terminal, afirma não trabalhar com os produtos encontrados e atribui a responsabilidade à gestão anterior.
- Gerdau: Antiga administradora, declarou ter vendido o terminal em 2022 e afirma que ainda não há confirmação técnica sobre a origem da poluição.
Impacto Socioeconômico e Falta de Apoio
Enquanto as investigações avançam, a comunidade de São Tomé de Paripe amarga prejuízos. Moradores e pescadores relatam que as placas de alerta são insuficientes diante da falta de fiscalização e suporte governamental.
O impacto atinge diretamente o sustento de centenas de famílias:
- Turismo em Queda: O representante comercial Cristian Alvarim destaca que a economia local está travada, com canoas vazias e ausência de turistas.
- Insegurança Alimentar: A barraqueira Maristância Conceição lamenta a sobrevivência precária da comunidade, que depende da pesca agora sob suspeita.
Em suma, a contaminação química em Paripe exige respostas rápidas para evitar um colapso ambiental e social maior. Para acompanhar os desdobramentos deste caso e orientações de saúde, acesse nossa editoria Saúde: Saúde da Gente.