
A assinatura da portaria que oficializou a nomeação de 645 profissionais aprovados nos concursos públicos da Fundação Municipal de Saúde (FMS) e da Secretaria Municipal de Educação (Semec) de Teresina, realizada nesta última terça-feira, representa muito mais do que um ato administrativo de rotina. O desfecho favorável aos concursados dos editais nº 01 e 02 de 2024 encerra um longo período de queda de braço, marcado por intensas mobilizações de rua em frente ao Palácio da Cidade e por uma severa crise de instabilidade política e administrativa na gestão da saúde pública da capital piauiense.
Ao longo de todo o primeiro semestre, os aprovados travaram uma verdadeira maratona de protestos cobrando celeridade no preenchimento das vagas efetivas. O estopim para a onda de manifestações ocorreu em um grande ato no dia 14 de abril, quando comissões de médicos, enfermeiros e técnicos de saúde denunciaram publicamente o receio de que o certame expirasse sem o aproveitamento dos aprovados. Na ocasião, as categorias acusaram o município de priorizar contratações precárias e indicações temporárias em detrimento dos concursados. Como resposta de contenção à crise, a FMS alegou que possuía um planejamento técnico prevendo convocações graduais até o ano de 2026.
IMPACTO DE R$ 23 MILHÕES NA FOLHA E CRONOGRAMA EM QUATRO ETAPAS
O prefeito Silvio Mendes (União Brasil) buscou usar o evento de nomeação para sinalizar que a prefeitura está atenta ao clamor popular e das categorias. Na divisão das 645 novas vagas, a área da educação absorveu o maior contingente, com 481 convocados de diversas funções. Com esse reforço, a Semec atinge a marca de 1.222 novos servidores integrados às salas de aula sob a atual gestão. Esse impacto financeiro com o novo pessoal técnico e pedagógico vai exigir uma engenharia fiscal no caixa do município, representando um acréscimo anual fixo de R$ 23.269.000,00 na folha de pagamento da educação.
Já na saúde, a portaria carimbou a entrada imediata de 164 servidores efetivos, englobando enfermeiros padrão, plantonistas, médicos e equipes do Programa Saúde da Família (PSF). Silvio Mendes explicou que o lote atual de 164 convocados é apenas a primeira perna de um cronograma maior fatiado em quatro etapas consecutivas de chamamentos, programadas para ocorrer até dezembro deste ano, data limite da validade do concurso da FMS. O prefeito ponderou que as contratações visam sanar diretamente as reclamações da comunidade quanto aos gargalos de atendimento na rede de postos e hospitais de Teresina.
BASTIDORES DA FMS: HISTÓRICO DE EXONERAÇÕES E DANÇA DAS CADEIRAS
Para que a portaria de nomeação fosse assinada nesta semana, a estrutura da Fundação Municipal de Saúde precisou passar por uma profunda reestruturação interna. O reflexo das divergências administrativas e do clima de tensão na pasta culminou, no dia 2 de julho do ano passado, no pedido de exoneração em caráter definitivo do então presidente da FMS, Charles da Silveira, que deixou o cargo alegando incompatibilidades de gestão. Durante o vácuo de poder, o dentista Francisco Pádua chegou a assumir a cadeira de forma interina para evitar a paralisia dos serviços hospitalares.
A calmaria administrativa e o prumo nas negociações com as comissões de concursados só começaram a ser desenhados a partir do dia 10 de julho do ano passado, quando a enfermeira Leopoldina Cipriano Feitosa assumiu oficialmente a presidência executiva da fundação. A chegada de uma profissional técnica de carreira ajudou a destravar os canais de diálogo com o sindicato e os manifestantes. A consolidação deste lote de nomeações carimba o compromisso do Palácio da Cidade em pacificar as relações com o funcionalismo público local, devolvendo a estabilidade para as salas de aula e para os balcões de atendimento médico de Teresina após meses de instabilidade.
Para acompanhar os diários oficiais de convocação, listas de documentos para a posse da Semec e FMS, exames admissionais e novas atualizações de concursos no Piauí, acesse a nossa editoria Oportunidades e Concursos: Portas Abertas.