
O ecossistema marinho do Nordeste recebeu um reforço histórico para sua preservação. Nesta quinta-feira (14), o BNDES aprovou um investimento de R$ 14 milhões para o projeto Coral Vivo Regenera, iniciativa liderada pelo Instituto Coral Vivo (ICV). Do total, R$ 6,6 milhões são recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental, destinados àquela que é considerada a maior operação de recuperação de recifes já realizada no Brasil.
O programa terá foco em nove unidades de conservação estrategicamente distribuídas entre a Bahia e o Ceará, cobrindo áreas vitais para a biodiversidade e para a economia de comunidades costeiras.
Estações de Regeneração: Tecnologia a favor da vida marinha
A grande inovação do projeto é a criação das Estações Coral Vivo de Regeneração Ambiental (ECoViRA). Essas unidades serão centros de alta tecnologia dedicados à pesquisa e ao tratamento de corais por meio de técnicas como:
- Microfragmentação: Recuperação acelerada de tecidos coralíneos.
- Propagação Larval: Fomento à reprodução de espécies ameaçadas de extinção.
- Identificação Genética: Rastreamento de genótipos mais resistentes ao aquecimento global e ao branqueamento.
No Rio Grande do Norte, uma dessas estações será implantada na APA Recifes de Corais, em Rio do Fogo. Já em Alagoas, as atividades serão concentradas em Maragogi (APA Costa dos Corais) e na APA Piaçabuçu.
Parcerias e Abrangência Regional
O esforço conta com o suporte técnico de dez instituições de peso, incluindo a UFRN, UFC, UFAL, UFRPE, UFS, USP e o ICMBio. A meta é reverter o cenário crítico onde cerca de metade da cobertura recifal mundial já foi perdida devido à poluição e mudanças climáticas.
No Nordeste, onde os recifes sustentam cadeias produtivas essenciais como a pesca artesanal e o turismo comunitário, o projeto vai além da biologia. A iniciativa prevê:
- Educação Ambiental: Nas escolas públicas, por meio do programa Literatura Atlântica.
- Economia Sustentável: Apoio a alternativas de renda para comunidades tradicionais.
- Monitoramento Climático: Identificação de áreas com maior resiliência a eventos extremos.
Estratégia e Inclusão
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e o presidente Aloizio Mercadante destacaram que a operação une proteção ambiental com inclusão social. Os recifes não apenas abrigam um terço da biodiversidade marinha, mas funcionam como barreiras naturais que protegem a costa e garantem a segurança alimentar e financeira de milhares de famílias nordestinas.
Portanto, o Coral Vivo Regenera reafirma o papel do Nordeste como protagonista na “Economia Azul” do Brasil. Para acompanhar os avanços da restauração nos corais da nossa região, acesse nossa editoria Todo Santo Dia.