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Resistência na Parte Alta: Marisqueiras do Cidade Sorriso denunciam abandono e custos altos após realocação
14 de maio de 2026 / 20:47
Foto: Divulgação

As marisqueiras que residem no Conjunto Cidade Sorriso, no bairro Benedito Bentes, em Maceió, enfrentam uma batalha diária para manter viva a tradição e o sustento que vem do sururu. Desde que foram realocadas da orla lagunar (Vergel do Lago) para a parte alta da capital, em 2008, essas trabalhadoras lutam contra a falta de infraestrutura e os custos logísticos que ameaçam inviabilizar a atividade.

O principal entrave é a distância da Lagoa Mundaú. Sem um espaço adequado no novo conjunto, as marisqueiras precisam pagar pelo transporte do molusco até suas casas. Vânia Teixeira, uma das lideranças do grupo, revela que o custo do frete chega a R$ 400 por semana — um valor astronômico para quem vende a lata do produto por apenas R$ 6.

Trabalho Insalubre e Falta de Apoio

A rotina de tratamento do sururu no Cidade Sorriso é marcada pelo improviso e por riscos à saúde. Sem um galpão estruturado, as mulheres trabalham ao relento, enfrentando sol forte e tempestades.

  • Riscos à Saúde: O contato constante com o fogo para o cozimento e a água fria, somado às posturas inadequadas, tem provocado doenças crônicas como dores severas na coluna.
  • Acesso à Saúde: As trabalhadoras denunciam a dificuldade de conseguir atendimento médico e medicamentos básicos na rede pública municipal.
  • Desafio Familiar: A ausência de creches ou espaços de apoio para os filhos dificulta ainda mais a jornada de trabalho dessas mães e avós.

Reivindicação por um Espaço Coletivo

Mesmo organizadas em cooperativa e associação, as marisqueiras ainda não possuem uma estrutura fixa. Elas reivindicam que a Prefeitura de Maceió disponibilize um terreno no próprio conjunto habitacional para a construção de um centro de tratamento estruturado. Atualmente, o trabalho é feito em um terreno ocupado, onde as mulheres chegaram a cultivar uma horta comunitária para otimizar o espaço.

Para essas famílias, o sururu não é apenas uma mercadoria, mas uma herança cultural transmitida de geração em geração. “É nossa raiz, nossa forma de resistência”, afirmam as trabalhadoras, que seguem aguardando um posicionamento oficial da gestão municipal sobre a cessão de uma área para o trabalho coletivo.

Portanto, a sobrevivência da tradição do sururu no Benedito Bentes depende hoje de um olhar mais atento do poder público para a logística e a dignidade humana. Para acompanhar os desdobramentos desta denúncia e outras notícias da capital alagoana, acesse nossa editoria Todo Santo Dia.

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