
A decisão judicial que determina a poda do maior cajueiro do mundo, localizado em Parnamirim, na Grande Natal, está gerando polêmica entre moradores, autoridades e especialistas. A poda está prevista para começar em agosto deste ano, mas levanta questionamentos sobre o impacto que essa ação pode ter na árvore, que é reconhecida pelo Guinness World Records como a maior do planeta.
De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), responsável pela administração do cajueiro, não há risco de que a árvore perca seu título. O diretor técnico do Idema, Thales Dantas, afirmou que “o Cajueiro de Pirangi continuará sendo o maior do mundo, independentemente da poda e do manejo fitossanitário que será realizado”.
O Cajueiro de Pirangi, que se estende por aproximadamente 10 mil metros quadrados, é um atrativo turístico tradicional no litoral do Rio Grande do Norte, recebendo mais de 350 mil visitantes em 2024.
A necessidade da poda, segundo o Idema, se deve ao fato de que cerca de 1,2 mil metros da planta estão além da área cercada, invadindo ruas e áreas residenciais. Em algumas avenidas, os galhos ocupam metade da via, e uma estrutura foi construída para suspender os galhos sobre a pista. Thales Dantas destacou que essa poda é uma medida de cuidado com a planta, afirmando que “nunca houve uma poda realmente significativa” na árvore centenária.
A decisão de podar foi tomada em 2024, após pedidos de moradores e comerciantes da região, e o Idema estima um investimento de R$ 200 mil no processo, que pode durar até seis meses.
Entretanto, a bióloga Mica Carboni, que já trabalhou no cajueiro, critica a ação, considerando que a poda pode resultar em uma “catástrofe” para a árvore. Ela argumenta que o crescimento do cajueiro se deve ao enraizamento de seus galhos, que contribuem para o rejuvenescimento da planta. Mica alerta que a poda indiscriminada pode limitar o crescimento e acelerar o envelhecimento do cajueiro, que já tem mais de 140 anos.
Moradores e comerciantes da região também expressam preocupações. O corretor de imóveis Francisco Cardoso acredita que a remoção de uma grande quantidade de massa da árvore pode abrir espaço para infecções e até levar à morte do cajueiro. O turista Francivaldo Macedo lamentou a possibilidade da poda, ressaltando a importância do cajueiro para o turismo local. A comerciante Íris Lopes também se mostrou contrária à poda, temendo que isso possa afetar negativamente o número de visitantes e, consequentemente, suas vendas.
A situação continua a gerar debates acalorados entre a comunidade, refletindo a importância do cajueiro não apenas como um símbolo natural, mas também como um ícone cultural e turístico da região.