
O Ceará encerrou a quadra chuvosa de 2026 com um resultado considerado positivo. Entre fevereiro e maio, o estado acumulou 665 milímetros de chuva, volume superior à média histórica de 609,2 milímetros para o período, segundo balanço divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Dos quatro meses da estação, fevereiro, abril e maio registraram precipitações acima da média. Apenas março apresentou desempenho inferior ao esperado. O resultado garantiu um cenário de estabilidade hídrica para grande parte do estado, especialmente em regiões que dependem diretamente da recarga dos reservatórios.
Açudes mantêm situação confortável
Ao fim da quadra chuvosa, os açudes cearenses acumulam 53,82% da capacidade total de armazenamento. Embora o índice seja ligeiramente inferior aos 55,06% registrados em 2025, os números são considerados satisfatórios para o abastecimento humano e atividades econômicas.
As regiões do Litoral, Alto Jaguaribe e Coreaú apresentaram os melhores níveis de armazenamento, com percentuais próximos ou superiores a 95%. O açude Castanhão, maior reservatório do Brasil e estratégico para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza, encerrou o período com 33,19% da capacidade, acima dos 29,73% observados no ano passado.
ZCIT foi decisiva para as chuvas
De acordo com a Funceme, o principal sistema responsável pelas precipitações foi a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), considerada o fenômeno meteorológico mais importante para a estação chuvosa do Ceará.
As condições favoráveis das águas do Atlântico Tropical contribuíram para fortalecer a atuação da ZCIT, especialmente nas áreas mais ao sul do estado, favorecendo a ocorrência de chuvas regulares ao longo da quadra.
Previsão de El Niño acende sinal de atenção
Apesar do cenário positivo em 2026, meteorologistas já acompanham uma possível mudança nas condições climáticas para os próximos meses.
A Funceme aponta cerca de 60% de probabilidade de formação de um El Niño de forte intensidade entre outubro e dezembro deste ano. Caso o fenômeno se confirme, os impactos podem ser sentidos na quadra chuvosa de 2027, aumentando o risco de temperaturas mais elevadas, redução das chuvas e crescimento dos focos de incêndio.
Ainda é cedo para determinar os efeitos exatos sobre o Ceará, mas os especialistas reforçam a importância do monitoramento constante das condições oceânicas e atmosféricas nos próximos meses.
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