
Duas cidades do Rio Grande do Norte que vinham enfrentando um grave colapso no abastecimento de água desde dezembro de 2025 finalmente tiveram a situação normalizada após a recarga dos reservatórios proporcionada pelas chuvas dos últimos meses. São João do Sabugi e Ouro Branco, ambas localizadas na região do Seridó, voltaram a contar com o fornecimento regular de água no mês de abril, permitindo inclusive a retomada da emissão de contas aos consumidores por parte da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern).
A crise hídrica nessas localidades teve início quando os açudes responsáveis pelo abastecimento secaram quase completamente. Além da redução drástica no volume, a água remanescente tornou-se imprópria para o consumo humano, o que levou à suspensão do sistema convencional de distribuição. Como medida emergencial, a população passou a depender do abastecimento por meio de carros-pipa, solução que, embora necessária, é limitada e não atende plenamente à demanda da população.
Com a chegada das chuvas e a consequente recuperação parcial dos mananciais, foi possível reativar o sistema de abastecimento. Ainda assim, a Caern ressalta que a situação exige cautela. Atualmente, os reservatórios dessas cidades estão com cerca de 44,82% de sua capacidade total, um nível considerado intermediário e que ainda inspira atenção. Isso significa que, embora o cenário tenha melhorado significativamente, não há margem para desperdício.
Outros municípios da região do Seridó também apresentaram avanços importantes na recarga hídrica, como São José do Seridó, Parelhas, Jardim do Seridó, Carnaúba dos Dantas e Equador. Apesar disso, a companhia destaca que a recuperação dos volumes ainda está abaixo do ideal em toda a região. Um exemplo relevante é a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, um dos principais reservatórios do estado e responsável pelo abastecimento de mais de 30 municípios, que atualmente opera com aproximadamente 42% de sua capacidade.
Diante desse cenário, a Caern reforça a importância do uso consciente e responsável da água por parte da população. A adoção de práticas de economia, como evitar desperdícios, reutilizar água sempre que possível e utilizar de forma moderada em atividades domésticas, é essencial para garantir a sustentabilidade do abastecimento nos próximos meses. A recuperação total dos reservatórios ainda depende da continuidade das chuvas e de uma gestão eficiente dos recursos hídricos, tornando fundamental o engajamento coletivo para evitar novos períodos de escassez.