
A Dívida Pública Federal do Brasil voltou a crescer e atingiu R$ 8,798 trilhões em abril, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O aumento foi impulsionado principalmente pela forte emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano, cenário que amplia os custos do endividamento público e pressiona ainda mais as contas do governo.
Em apenas um mês, a dívida avançou 1,91%. Em março, o estoque estava em R$ 8,633 trilhões. O Tesouro informou que emitiu mais de R$ 201 bilhões em títulos públicos no período, maior volume já registrado para um único mês. Grande parte desse movimento ocorreu para substituir papéis vinculados aos juros básicos da economia e atender à demanda dos investidores.
Juros altos aceleram crescimento da dívida pública
Com a Selic elevada, o governo paga mais caro para financiar sua dívida. Só a incorporação mensal dos juros acrescentou mais de R$ 92 bilhões ao estoque da dívida em abril. Os títulos atrelados à Selic passaram a representar 48,59% de toda a Dívida Pública Federal.
O Plano Anual de Financiamento prevê que a dívida brasileira possa encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O aumento dos juros também influencia diretamente o crédito, o consumo e os investimentos em toda a economia brasileira.
Mercado acompanha cenário fiscal com atenção
Mesmo com o crescimento da dívida, o Tesouro destacou aumento do chamado “colchão financeiro”, reserva usada para enfrentar crises e vencimentos futuros. Esse volume chegou a R$ 1,091 trilhão e hoje cobre quase nove meses das obrigações previstas do governo.
O avanço da dívida pública ocorre em meio às tensões internacionais, juros elevados e maior cautela dos investidores estrangeiros. Em abril, inclusive, a participação externa nos títulos brasileiros apresentou leve recuo.
E talvez exista um ponto importante nisso tudo: quando os juros sobem, não é apenas o governo que paga mais caro. Empresas, consumidores e toda a economia acabam sentindo os efeitos do crédito mais caro e da desaceleração econômica.
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