
A Paraíba vem avançando na diversificação de sua matriz energética ao investir na bioeletricidade, energia gerada a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. Essa fonte renovável tem se mostrado estratégica por garantir fornecimento contínuo, funcionando como complemento às fontes solar e eólica, que dependem das condições climáticas.
Atualmente, as usinas ligadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba possuem capacidade instalada de cerca de 102 MW em bioeletricidade. Esse volume representa aproximadamente 2% do consumo elétrico estadual e seria suficiente para abastecer cerca de 300 mil residências, posicionando o estado como um polo relevante de bioenergia no Nordeste.
A produção está concentrada na Zona da Mata paraibana, com destaque para usinas como Giasa II, Japungu, Monte Alegre, Tabu e Miriri, que aproveitam integralmente os resíduos da cana para gerar energia limpa.
Além do impacto energético, o setor sucroenergético exerce papel importante na economia local, com a geração de cerca de 20 mil empregos diretos e 60 mil indiretos em mais de 30 municípios produtores. O segmento responde por cerca de 3% do PIB estadual e movimenta aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano.
Do ponto de vista ambiental, a bioeletricidade contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa ao substituir combustíveis fósseis como diesel, gás natural e carvão. Em 2025, o uso do etanol produzido no estado evitou a emissão de cerca de 505 mil toneladas de CO₂, reforçando o papel do setor na transição energética.
Segundo o presidente-executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, a cogeração a partir do bagaço e da palha da cana aumenta a eficiência energética ao produzir simultaneamente energia elétrica e térmica com baixo impacto ambiental. Investimentos em modernização de caldeiras e turbinas também têm permitido ampliar a produção e melhorar a exportação de energia.
A expectativa é de crescimento de até 25% na capacidade instalada até 2030, alcançando cerca de 127 MW. Esse avanço deve fortalecer ainda mais a participação da biomassa na matriz elétrica da Paraíba.
No cenário nacional, o Brasil se destaca por possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com cerca de 85% da capacidade proveniente de fontes renováveis. Nesse contexto, a biomassa da cana-de-açúcar desempenha papel essencial ao oferecer geração contínua e controlável, contribuindo para equilibrar a intermitência de fontes como solar e eólica.
Assim, a bioeletricidade reforça a segurança energética da Paraíba, promovendo desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental e maior estabilidade no fornecimento de energia.