
O conceito por trás do sucesso do Quilha não surgiu da cozinha, mas sim de uma análise inteligente de negócio. Localizado em um dos shoppings mais movimentados da cidade, o restaurante identificou uma oportunidade no intervalo entre o almoço executivo e o jantar mais sofisticado, um período tradicionalmente tranquilo, com mesas vazias e equipe em ritmo reduzido. A solução foi criar um happy hour com identidade própria para preencher esse espaço e transformá-lo em uma fonte de receita.
Rafael Barreto, um dos proprietários do Quilha, explica que a iniciativa criou um novo turno dentro do restaurante, trazendo impacto significativo nos resultados financeiros. Para ele, a estratégia vai muito além da venda de drinks, pois é uma maneira de gerar fluxo constante de clientes, que podem se tornar recorrentes, também consumindo nas outras refeições. O ticket médio da casa, que normalmente varia entre R$ 130 e R$ 140 por pessoa, aumentou cerca de 20% com essa operação intermediária, gerando maior consumo por mesa, aproveitamento eficiente dos insumos e diluição dos custos fixos. Ou seja, o período que antes era parado se tornou uma margem de lucro importante.
Durante uma visita para observar essa dinâmica, foi possível notar o ambiente sempre cheio, com clientes habituais que já sabem o que desejam e outros que entram para um drink rápido e decidem ficar mais tempo. O funcionamento é consistente e profissional, com método aplicado mesmo na leveza do momento.
No bar, onde o happy hour se destaca, o barman Eduardo preparou algumas das bebidas mais apreciadas pela clientela. O GT do Quilha, por exemplo, é um drink refrescante, cítrico e equilibrado, com limão siciliano, vodca, licor de laranja, xarope de amora, infusão de clitória e uma flor que finaliza a apresentação, encantando pela aparência e sabor. Também há opções como a batida de coco cremosa e equilibrada e a Garapa, criação da casa com tangerina fresca e vibrante, ideal para o verão. A cerveja é servida estupidamente gelada, garantindo a qualidade em todos os pedidos, do clássico ao sofisticado.
Na cozinha, o chef Adriano mantém o padrão e ajusta o cardápio para o happy hour sem perder intensidade. Pratos como panelinha com camarões e polvo flambados, maminha com gorgonzola e steak tartar são servidos com precisão e sabor, mostrando que o menu não é uma simples adaptação para preencher o tempo, mas sim uma extensão genuína da experiência gastronômica do restaurante.
O Quilha demonstra claramente que um restaurante de sucesso é resultado de uma gestão eficaz do tempo, do público e do produto. Transformando um intervalo tradicionalmente ocioso em uma oportunidade estratégica, a casa consegue manter sua qualidade em comida, bebida e ambiente, fazendo o cliente entrar para uma hora e perceber que o tempo passou sem pressa.