
O cenário teatral da capital maranhense prepara-se para receber uma montagem cênica de forte impacto social, que utiliza a sensibilidade e a linguagem corporal para desafiar os padrões históricos da dramaturgia convencional. Nos dias 22 e 23 de maio, sempre às 19h, o palco do tradicional Teatro João do Vale, no Centro Histórico de São Luís, será a sede do espetáculo gratuito de teatro-dança “Ela Não Morre no Final”. A obra propõe uma quebra de paradigma estético e narrativo ao construir desfechos positivos e prósperos para histórias de amor protagonizadas por mulheres, enfrentando de frente a crônica escassez de representações felizes dessas relações na literatura, no cinema e na televisão.
A engenharia poética do espetáculo parte de um questionamento incisivo que ecoa na rotina de consumo cultural do país: “quantas histórias de amor entre mulheres você já viu terminarem felizes?”. A partir desse gatilho reflexivo, as criadoras recolheram relatos reais da comunidade e os fundiram a uma costura expressiva que mescla teatro, dança contemporânea, música ao vivo e poesia falada. O objetivo central é convidar a plateia a conceber horizontes afetivos alternativos, libertando a vivência de mulheres lésbicas e bissexuais dos estereótipos repetitivos do silenciamento forçado, da rejeição familiar ou do desfecho trágico.
Delicadeza e orgulho contra a herança do sofrimento nas telas
Com o foco direcionado para a valorização e respeito às vivências de pessoas LGBTQIAPN+, a montagem adota a delicadeza e a esperança como ferramentas políticas de palco, ampliando o repertório de narrativas sobre a diversidade no Nordeste. Uma das artistas e mentes criativas por trás do projeto, Jéssica Montes, argumenta que o público consumidor de arte já passou do tempo de associar as relações homoafetivas femininas exclusivamente à dor. “A grande maioria das produções com representatividade lésbica insiste em mostrar narrativas marcadas pela violência ou pela tragédia. Mas a nossa experiência pessoal e diária aponta para a felicidade, para a construção de futuro e para a prosperidade dessas mulheres”, defende a artista.
A espinha dorsal de “Ela Não Morre no Final” foi gestada de forma colaborativa pelas artistas e produtoras Taila Menezes e Jéssica Montes, ambas lésbicas e com longa trajetória de atuação nas artes cênicas do estado. Ao cruzar depoimentos de terceiros com suas próprias memórias afetivas, a dupla costurou uma dramaturgia que utiliza canções marcantes e linguagens híbridas do corpo para erguer um manifesto artístico sobre permanência, liberdade e o direito à ternura em praça pública.
Fomento pela Lei Aldir Blanc e ingressos digitais via Sympla
A viabilização do espetáculo cumpre uma importante função de democratização do acesso à cultura na capital. O projeto foi um dos contemplados pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), executada por meio da Secretaria Municipal de Cultura de São Luís (Secult), o que garantiu a gratuidade integral dos assentos para toda a população.
Os interessados em acompanhar a apresentação devem ficar atentos à logística de bilheteria virtual para evitar contratempos. Os ingressos serão liberados para o público geral de forma eletrônica através da plataforma Sympla, com os lotes abrindo pontualmente a partir das 12h do dia de cada sessão (sexta-feira e sábado). A ocupação do Teatro João do Vale seguirá a capacidade máxima do espaço, consolidando a iniciativa como uma oportunidade indispensável para quem deseja prestigiar a força da nova cena teatral maranhense e testemunhar a arte cumprindo seu papel de transformar a realidade e acolher o amor em todas as suas formas.
Para acompanhar críticas de teatro, festivais de dança no Maranhão, editais de incentivo à cultura e a agenda de eventos do Centro Histórico, acesse a nossa editoria Cultura Popular e Tradições.