
João Pessoa e outras cidades da Paraíba já percebem o crescimento da participação dos jovens no mercado financeiro, um movimento que vem se fortalecendo por todo o Brasil. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicam que a Geração Z representa 25% dos investidores brasileiros em 2025, o que tende a modificar o perfil do investidor paraibano. Olívia Soares, 23 anos, residente em João Pessoa e enfermeira, iniciou seus investimentos há dois anos com aplicações que permitem resgates imediatos, a partir do dinheiro que economizou.
Desde a infância, Olívia desenvolveu o hábito de guardar dinheiro, incentivada pelos pais a utilizar cofrinhos para economizar para objetivos específicos. Mais tarde, esses valores foram direcionados à poupança e, com o tempo, ela passou a buscar investimentos com maior rentabilidade, refletindo a maior busca dos jovens pela rentabilidade financeira.
Esse comportamento evidencia como a Geração Z está se consolidando como a faixa etária que mais cresceu no mercado de investimentos no ano passado, com uma alta de aproximadamente 6% desde 2020. Segundo a pesquisa Raio-X do Investidor, publicada recentemente pela Anbima, a Geração Z representa quase um quarto do total de investidores, percentual próximo ao da geração Millennial, que é de 28%.
Além do aumento da participação, a presença dos jovens investidores traz mudanças no consumo de informações para investimentos, na digitalização dos serviços financeiros e até na oferta dos produtos, com destaque para aplicações de liquidez imediata como CDBs, RDBs e fundos de investimento, que atraem essa geração acostumada ao ambiente digital.
Outro jovem de João Pessoa, o economista Vitor Nayron, 25 anos, destaca a popularização das fintechs e a facilidade de acesso que elas promovem, beneficiando essa geração que cresceu integrada ao digital. Para ele, as instituições financeiras têm adaptado seus serviços para atender melhor a demanda dos jovens investidores, oferecendo produtos mais acessíveis e de liquidez rápida.
Influência das redes sociais no perfil dos investidores jovens
A Geração Z é a primeira a nascer no universo digital, o que influencia diretamente na forma como busca informações sobre finanças. Redes sociais são um canal frequente para esses jovens, mas, segundo o economista Vitor Nayron, esse ambiente mistura educação financeira com conteúdo superficial, o que pode levar a tomadas de decisão inadequadas se não houver uma análise cuidadosa. Ele ressalta a importância de uma avaliação individual, pois cada pessoa possui contextos, rendas e objetivos financeiros diferentes.
Características da Geração Z no mercado financeiro
O perfil do jovem investidor se mostra equilibrado entre homens e mulheres, com média de idade de 23 anos e maior representação na classe C (50%). A maioria está empregada (79%) e tem renda familiar média de R$ 5,3 mil, superior à dos demais grupos geracionais. Em relação à escolaridade, 65% concluíram o ensino médio, e muitos estão cursando o ensino superior.
Segundo o Raio-X do Investidor, a Geração Z é a segunda que mais investe em produtos financeiros (37%), quase empatada com os Millennials. Para eles, o retorno financeiro é prioridade, enquanto os investidores mais velhos dão maior importância à segurança.
Investimentos diversificados e expectativas do jovem investidor
A carteira dos investidores da Geração Z é plural e ousada, com aplicações distribuídas em títulos privados, fundos, criptomoedas, imóveis, ações e títulos públicos. A caderneta de poupança, tradicional entre gerações anteriores, representa apenas 13% das aplicações desses jovens.
O sonho da casa própria é o principal objetivo para 37% dos jovens investidores, que, muitas vezes, aproveitam o período em que ainda moram com os pais para acumular recursos e conquistar a independência financeira. De acordo com Vitor Nayron, os jovens costumam adiar a saída do lar familiar para focar em estudar e aumentar a renda.
Fontes de informação e influência na decisão dos jovens
A pesquisa revela que 23% dos investidores da Geração Z buscam orientação em amigos e familiares para decidir onde aplicar seu dinheiro, demonstrando abertura para influenciadores financeiros (11%), mas preferem menos contato presencial com gerentes ou assessores (15%). Olívia Soares confirma esse perfil, relatando que pesquisa em sites, conversa com amigos investidores e acompanha influenciadores e informações disponibilizadas pelo aplicativo do banco.
Desafios e cuidados com a informação digital
Para Vitor Nayron, a abundância e velocidade de informações proporcionadas pela tecnologia facilitam o acesso, mas aumentam o risco de dados imprecisos e falsos, tornando essencial a checagem cuidadosa das fontes antes de tomar decisões financeiras.
Consumo digital e engajamento na educação financeira
Plataformas de vídeo como YouTube (49%) e Instagram (45%) são os principais canais de informação da Geração Z sobre investimentos. Essa geração realiza 84% das aplicações online e é a que menos visita agências para montar carteiras (11%). Além disso, jovens investem na própria capacitação financeira, com 29% participando de cursos ou palestras voltados ao tema.
Finalmente, a Geração Z demonstra maior prudência financeira, com apenas 17% não possuindo reserva emergencial, percentual inferior ao dos Boomers, em que 48% não têm essa reserva.
Perfil geral do investidor brasileiro
O investidor brasileiro, em média, pertence à classe C (47%) com renda mensal de R$ 3,5 mil, apresenta equilíbrio entre homens (51%) e mulheres (48%), e concentra-se principalmente no Sudeste (43%) e Nordeste (26%). A Geração X (45 a 64 anos) representa 33% desse público. O número total de investidores passou de 31% para 36% da população, refletindo um crescimento no mercado nacional.