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Mel do Nordeste conquista mercado internacional e transforma Caatinga em ativo econômico sustentável
25 de maio de 2026 / 12:58
Foto: Divlugação

A cadeia produtiva do mel vem se consolidando como uma das atividades mais estratégicas da nova bioeconomia nordestina. Dados do Banco do Nordeste, através do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), mostram que a região já responde por quase 40% da produção nacional de mel.

Com produção anual de aproximadamente 25,6 mil toneladas e crescimento de 4,1%, o setor ganhou força não apenas pelo retorno econômico, mas principalmente pela capacidade de unir:

  • geração de renda;
  • preservação ambiental;
  • agricultura familiar;
  • sustentabilidade.

O diferencial do mel nordestino está justamente na Caatinga.

As condições climáticas do Semiárido ajudam a produzir um mel considerado de alta pureza, praticamente livre da necessidade de antibióticos e pesticidas utilizados em outros mercados internacionais.

Isso ocorre porque:

  • a baixa umidade reduz doenças nas colmeias;
  • a vegetação nativa favorece floradas naturais;
  • o ambiente semiárido funciona como proteção biológica natural.

O resultado é um produto valorizado no exterior e com forte potencial para certificações orgânicas.

Agricultura familiar transforma apicultura em motor do Semiárido

A produção de mel no Nordeste possui uma característica considerada estratégica:
ela é sustentada majoritariamente pela agricultura familiar.

Segundo o Censo Agropecuário:

  • 80% dos estabelecimentos apícolas pertencem à agricultura familiar;
  • 94% estão localizados em áreas do Semiárido.

Isso significa que milhares de pequenas comunidades conseguem gerar renda sem precisar desmatar a vegetação nativa.

Na prática, a apicultura transforma o produtor em guardião da Caatinga.

“A produção de mel preserva o bioma, fortalece a bioeconomia e ajuda a construir uma economia de desmatamento zero.”

A avaliação é defendida por Anselmo Castilho, secretário de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas do Consórcio Nordeste.

Especialistas apontam que poucas atividades conseguem integrar de forma tão direta:

  • preservação ambiental;
  • desenvolvimento regional;
  • inclusão produtiva;
  • exportação;
  • sustentabilidade.

Nordeste busca novos mercados e aposta em “Marca Nordeste”

Apesar da liderança nacional nas exportações, o setor enfrenta desafios em 2026.

Hoje, cerca de 85% do mel exportado pelo Nordeste segue para os Estados Unidos, principal comprador internacional do produto.

Porém, mudanças tarifárias e novas exigências comerciais americanas reduziram o ritmo das exportações nos primeiros meses do ano.

O movimento levou cooperativas e governos regionais a acelerar a busca por novos mercados, especialmente:

  • Europa;
  • Ásia;
  • Índia.

O mel da Caatinga vem despertando interesse internacional por causa de:

  • baixa pegada de carbono;
  • ausência de resíduos químicos;
  • origem sustentável;
  • impacto social positivo.

Durante feiras internacionais como a Anuga, na Alemanha, produtores nordestinos ampliaram negociações para posicionar o mel regional como produto premium.

Estados como:

  • Piauí;
  • Ceará;
  • Bahia;
  • Maranhão;

já se consolidam como polos estratégicos do setor.

O Maranhão, por exemplo, registrou crescimento de 23,9% na produção anual.

Agora, a nova engenharia econômica do setor busca ir além da exportação do mel bruto.

A meta é fortalecer a chamada “Marca Nordeste”, ampliando:

  • embalagem própria;
  • industrialização;
  • produtos derivados;
  • agregação de valor;
  • exportação premium.

No Semiárido, o mel deixou de ser apenas produto agrícola.
Passou a representar uma das faces mais modernas da economia sustentável nordestina.

Para acompanhar mais notícias sobre economia, agronegócio e desenvolvimento regional, acesse a editoria de Economia do Nordeste Online.

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