
O 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) evidencia uma desigualdade salarial significativa entre homens e mulheres na Paraíba. O estudo mostra que as mulheres recebem, em média, 17% menos do que os homens em empregos formais no setor privado da região. Para chegar a esse resultado, a análise utilizou dados de 504 estabelecimentos paraibanos.
A pesquisa avaliou aproximadamente 76 mil vínculos empregatícios femininos no estado, com uma remuneração média de R$ 2.281,52. Por outro lado, o relatório analisou cerca de 121 mil vínculos masculinos, que apresentam uma média salarial de R$ 2.776,21. Quando o estudo combina os salários de ambos os gêneros, a média geral do mercado formal paraibano atinge o valor de R$ 2.585,01.
Desigualdade racial e cenário nacional
O relatório destaca disparidades ainda mais profundas ao cruzar fatores como raça e gênero. As mulheres negras recebem uma remuneração média de R$ 2.101,60, valor que representa 39% a menos do que os homens não declarados negros, cuja média salarial chega a R$ 3.483,73. Essas estatísticas confirmam uma desigualdade interseccional que atinge diretamente as mulheres negras no mercado de trabalho da Paraíba.
No cenário nacional, a distância salarial entre os gêneros supera o índice paraibano. Dados do Brasil indicam que as mulheres ganham, em média, 21,3% menos do que os homens no setor privado. Esta conclusão baseia-se na análise da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) entre 2023 e 2025, que examinou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais empregados. Os números reforçam a urgência de políticas públicas para combater desigualdades estruturais no mercado de trabalho.