
A segunda noite do concurso de quadrilhas juninas Levanta Poeira 2026 transformou o Ginásio Constâncio Vieira, em Aracaju (SE), em um grande palco de celebração da identidade nordestina. Com enredos que abordaram temas como memória, resistência, religiosidade, protagonismo feminino e cultura popular, os grupos participantes emocionaram o público ao apresentar espetáculos que foram além da dança, levando ao tablado histórias profundamente ligadas às raízes do povo sergipano e nordestino.
A cada apresentação, o público acompanhou uma verdadeira viagem por diferentes aspectos da cultura regional. Figurinos elaborados, cenários ricos em detalhes e coreografias cuidadosamente construídas reforçaram a força das quadrilhas juninas como uma das mais importantes expressões culturais do Nordeste, preservando tradições enquanto dialogam com temas contemporâneos.
Sergipanidade, sertão e resistência marcaram apresentações
A quadrilha Xodó da Vila abriu a noite destacando a identidade cultural de Sergipe. Inspirado no Museu da Gente, o espetáculo valorizou elementos que compõem a memória coletiva do estado, apresentando personagens, manifestações populares e símbolos que ajudam a contar a história do povo sergipano.
Já a Cangaceiros da Boa trouxe para o centro da narrativa a mulher sertaneja. O enredo apresentou personagens femininas marcadas pela coragem, pela força e pela capacidade de enfrentar adversidades históricas e sociais. Em cena, a quadrilha mostrou como essas mulheres transformam suas realidades e ajudam a construir a identidade cultural do sertão nordestino.
A Encanto do Matuto levou ao público uma reflexão sobre as dificuldades enfrentadas por famílias do semiárido. A montagem apresentou um sertão que sofre não apenas pela falta de água, mas também pela busca constante por justiça, dignidade e oportunidades. O resultado foi uma apresentação carregada de emoção e simbolismo.
Rio São Francisco e bastidores do movimento junino ganharam destaque
O Rio São Francisco serviu de inspiração para a quadrilha Assum Preto. A apresentação mergulhou no imaginário popular em torno do Velho Chico, explorando lendas, mistérios e elementos da cultura ribeirinha que fazem parte da história de diversas comunidades nordestinas. O espetáculo destacou a importância do rio não apenas como recurso natural, mas também como patrimônio cultural e afetivo da região.
A Unidos de Arrasta Pé apostou em uma abordagem diferente ao mostrar os bastidores da vida dos quadrilheiros. O enredo apresentou os desafios enfrentados por quem dedica meses de trabalho para participar dos concursos juninos, revelando histórias de esforço, superação e paixão pela cultura popular. A proposta aproximou o público da realidade vivida pelos integrantes dos grupos juninos ao longo do ano.
Emoção encerrou segunda noite do concurso
Fechando a programação da noite, a Unidos de Asa Branca emocionou o público com uma narrativa que abordou temas universais como amor, saudade, despedidas e reencontros. A apresentação combinou elementos da religiosidade popular, fantasia e sentimentos humanos, criando uma atmosfera de forte conexão com a plateia.
O Levanta Poeira chega à sua 16ª edição consolidado como uma das principais vitrines das quadrilhas juninas de Sergipe. O concurso reúne 18 grupos da capital e do interior, movimentando artistas, coreógrafos, músicos e comunidades inteiras que mantêm viva uma das mais importantes tradições culturais do Nordeste.
Competição segue rumo às semifinais
A programação continua com as semifinais marcadas para os dias 5 e 6 de junho, enquanto a grande final acontecerá no dia 7, também no Ginásio Constâncio Vieira. Até o encerramento das semifinais, o acesso do público ocorre mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, reforçando o caráter social do evento.
Além do título estadual, a quadrilha campeã garantirá uma vaga para representar Sergipe no Festival de Quadrilhas Juninas da Globo, que será realizado em Recife (PE). Mais do que uma competição, o Levanta Poeira segue reafirmando a força da cultura popular nordestina e a capacidade das quadrilhas de contar histórias que preservam a memória e a identidade de um povo.
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