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Conheça o licuri, fruto ancestral que une ciência, sustentabilidade e empreendedorismo feminino
2 de junho de 2026 / 17:51
Foto: Divulgação

Muito antes de se tornar matéria-prima para cosméticos, alimentos e artesanato, o licuri já era símbolo de resistência no Sertão nordestino. Conhecido como ouricuri em Pernambuco, o fruto da Caatinga ajudou povos indígenas a atravessar períodos de seca e escassez no Vale do Catimbau. Séculos depois, continua desempenhando um papel fundamental na vida das comunidades locais, agora como fonte de renda, identidade cultural e desenvolvimento sustentável.

Em Buíque, no Agreste pernambucano, o licuri tornou-se o centro de uma cadeia produtiva que reúne tradição, empreendedorismo e preservação ambiental.

Mulheres lideram transformação econômica

A principal referência desse movimento é a Cooperativa de Produção do Vale do Catimbau (COOP Catimbau), criada em janeiro de 2024.

A iniciativa reúne cerca de 30 mulheres de diferentes comunidades da região que transformam o fruto em sabonetes, óleos, biojoias, artesanato, licores, mel e diversos produtos alimentícios.

Em junho de 2025, a cooperativa inaugurou sua própria loja, ampliando a comercialização dos produtos e fortalecendo a economia local.

Segundo a presidente Simone Florêncio de Moura, o licuri representa muito mais do que uma atividade econômica.

“Ele carrega a memória dos povos indígenas que aprenderam a utilizar cada parte da palmeira de forma sustentável, respeitando a natureza e garantindo alimento em períodos difíceis”, destaca.

Ciência confirma saberes tradicionais

O que durante gerações foi transmitido pela tradição popular agora também recebe respaldo científico.

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estudam o licuri desde 2019, buscando comprovar propriedades já conhecidas pelas comunidades locais.

Os estudos identificaram potencial anti-inflamatório e cicatrizante no óleo extraído do fruto, tradicionalmente utilizado para tratar feridas e problemas de pele.

As pesquisas resultaram em uma patente compartilhada entre instituições de Pernambuco e da Bahia, estado onde o licuri também possui forte importância econômica e cultural.

Biodiversidade que gera desenvolvimento

Além do valor econômico, o licuri é peça importante para a conservação da Caatinga.

O extrativismo realizado no Parque Nacional do Catimbau segue práticas sustentáveis que garantem a preservação dos licurizeiros e da fauna que depende deles para alimentação e reprodução.

O Sebrae Pernambuco e a Prefeitura de Buíque apoiam iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva, oferecendo capacitações, assistência técnica e melhorias na infraestrutura de beneficiamento.

Um modelo que une tradição e futuro

O exemplo do licuri mostra como o Nordeste tem encontrado caminhos para transformar conhecimento tradicional em oportunidades de desenvolvimento.

Ao unir ciência, conservação ambiental, empreendedorismo feminino e valorização cultural, o fruto tornou-se símbolo de um modelo econômico que respeita a natureza e fortalece as comunidades locais.

Mais do que um produto da Caatinga, o licuri representa a capacidade do povo nordestino de transformar herança cultural em futuro.

Para acompanhar histórias sobre cultura, tradições, saberes ancestrais e identidade regional, acesse nossa editoria Saberes do Povo no Nordeste Online.

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