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O mestre do couro: Como o artesão sergipano Tássio Sereno vestiu o cangaço na novela Guerreiros do Sol
17 de maio de 2026 / 09:52
Foto: Divulgação

Quem assiste aos capítulos da novela Guerreiros do Sol e se impressiona com o realismo das vestimentas pesadas de couro, adornadas por metais e costuras minuciosas, talvez não imagine que parte daquela força estética nasceu da paciência e do talento de um jovem artesão de Sergipe. Tássio Sereno transformou seu ateliê em uma verdadeira máquina do tempo. Com um trabalho meticuloso de pesquisa e reprodução, ele ganhou destaque nacional ao confeccionar réplicas autênticas do figurino histórico dos bandos que seguiam Lampião e Maria Bonita, chamando a atenção da cenografia da Rede Globo.

O processo de criação das peças exigiu do artesão um mergulho profundo em livros, fotografias rústicas de época e registros em vídeo para garantir que cada traço respeitasse o período do cangaço. Tássio detalhou que a verdadeira fidelidade histórica mora nos pequenos detalhes: o desenho exato das flores de couro, a textura dos tecidos, a geometria dos bordados e os métodos antigos de costura manual. Cada peça criada não era apenas um acessório cênico, mas uma página da história do Sertão reescrita com agulha e linha.

Da sanfona de Gonzaga para os figurinos da televisão

O mais curioso na trajetória do artesão é que, originalmente, ele não tem raízes cravadas no Sertão profundo. A faísca que acendeu sua paixão pela estética do cangaço veio pelas ondas do som: ao ouvir as canções imortais de Luiz Gonzaga, Tássio sentiu o chamado para pesquisar o universo dos cangaceiros e a riqueza cultural que brota do solo seco. Para ele, o Sertão transformou-se em um lugar sagrado, dono de uma beleza hercúlea e habitado por um povo cuja força ele admira profundamente.

O talento de Tássio ganhou o mundo pelas redes sociais, vitrine digital onde a equipe de figurino da emissora descobriu o seu portfólio. Quando a produção entrou em contato solicitando peças exclusivas como bolsas de couro, cantis ornamentados e luvas de proteção para os personagens principais da trama — interpretados por Thomás Aquino (Josué), Isadora Cruz (Rosa) e Alice Carvalho (Otília) —, o artesão chegou a pensar que se tratava de uma brincadeira de internet. A ficha só caiu quando a televisão ligou: ao ver o fruto do seu suor ganhando vida na pele dos atores, o sentimento foi de uma emoção arrebatadora e de justiça pelo reconhecimento de um trabalho feito com tanto zelo.

O Modo Nordestino de Produzir: O entalhe do couro e a herança das mãos

[Xilogravura Afetiva] Há uma poesia silenciosa no bater do martelo sobre o couro cru e no cheiro do curtume que invade as oficinas de artesanato do nosso Nordeste. Vestir um cangaceiro nunca foi apenas uma questão de costura; é uma herança de autodefesa e dignidade que transforma a pele do boi em armadura e adorno. O trabalho de Tássio Sereno é o modo nordestino de produzir em sua essência mais bonita: uma arte que não aceita a pressa do maquinário industrial e prefere gastar os olhos no detalhe do ponto e no relevo do desenho. Dar vida a esse figurino é manter vivo o orgulho de uma estética que nasceu na caatinga e que hoje, soberana, dita a beleza e a identidade visual do país na tela da TV.


A valorização do artesão local na vitrine nacional

O reconhecimento do trabalho de Tássio Sereno em Guerreiros do Sol joga luz sobre uma discussão necessária: a importância da valorização do artífice nordestino na indústria cultural de massa. Muitas vezes, grandes produções nacionais recorrem a centros do Sudeste para idealizar estéticas que pertencem, por direito e vivência, aos produtores locais. Ao abrir espaço para a autenticidade de um criador sergipano, a obra ganha em verdade, textura e respeito à ancestralidade.

Com suas agulhas e moldes, Tássio não apenas ajudou a vestir os atores de uma novela; ele carimbou a força do artesanato de Sergipe no imaginário coletivo. Sua dedicação prova que a cultura do cangaço, longe de ser um tema esquecido no passado, continua viva, pulsante e capaz de gerar admiração, emprego e orgulho para a nossa região.

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[O que é a Xilogravura Afetiva do Nordeste Online?] 🧐

Se você chegou até aqui, deve ter reparado em uma caixinha especial no meio da nossa reportagem chamada [Xilogravura Afetiva]. Mas você sabe o que ela significa?

Historicamente, a xilogravura é a arte de entalhar a madeira para dar vida às ilustrações que estampam as capas dos nossos folhetos de cordel. É uma técnica de precisão, força e identidade. No Nordeste Online, nós trouxemos essa tradição artesanal para dentro do nosso jornalismo, transformando-a em uma ferramenta de escrita.

Sempre que você encontrar esse bloco ao longo dos nossos textos, significa que estamos fazendo uma pausa na análise fria dos dados e fatos para entalhar, com palavras, a alma do nosso povo. A Xilogravura Afetiva é o nosso espaço de crônica, memória, emoção e pertencimento. É o nosso jeito de lembrar que, por trás de qualquer estatística econômica ou urbana, existe um modo nordestino de viver, produzir e resistir que merece ser preservado.

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