
A Paraíba tem vivenciado uma significativa expansão no setor de startups, consolidando-se como um polo emergente em inovação tecnológica. A criação de novos hubs e o crescimento de empresas focadas em tecnologia impulsionam essa movimentação, que recebeu reforço com a indicação do Farol Digital como finalista da 9ª edição do Prêmio Nacional de Inovação. O Farol Digital concorre na categoria de ecossistemas de grande porte, competindo ao lado de centros consolidados do Sul do Brasil, como a Estação 43, em Londrina, e o Ecossistema de Inovação de Florianópolis. Esta premiação é promovida pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Sebrae.
Jaildo Tavares, líder executivo do Farol Digital, ressalta que tal reconhecimento amplia a visibilidade da produção tecnológica do Nordeste. Ele afirma que a indicação coloca João Pessoa e a Paraíba no radar nacional e internacional, evidenciando que o Nordeste também produz tecnologia estruturada e competitiva.
Segundo o “Sebrae Startup Report 2025”, a Paraíba abriga atualmente 351 startups, com destaque para a área de educação, que representa 14,53% das empresas. Saúde e bem-estar correspondem a 11,40%, enquanto tecnologia da informação tem 10,83%. A maioria dessas startups são microempresas (86,73%), com 5,69% classificadas como pequenas. Em relação ao estágio de desenvolvimento, 46,15% estão em fase de validação, 20,8% ainda em ideação e 20,23% em tração, quando o modelo de negócio começa a apresentar crescimento consistente.
O modelo de negócios predominante é o B2B, com startups oferecendo soluções para outras empresas, focando em eficiência e redução de custos. Um exemplo desse setor é a Inovathys – Sistemas Inteligentes, criada pelo engenheiro Celso Padilha, que desenvolve soluções de automação para reduzir o consumo energético em até 50%. Padilha destaca que o crescimento do mercado em João Pessoa está ligado ao incentivo público, como editais e políticas de fomento, que facilitam o acesso de novos empreendedores.
Outro caso de sucesso é o Cleer, aplicativo desenvolvido por Kycia Cordeiro, que usa inteligência artificial para organizar a rotina de pacientes com uso contínuo de medicamentos. A ideia surgiu a partir de uma experiência pessoal, visando reduzir riscos no consumo.
As universidades também desempenham papel central na consolidação do ecossistema de inovação. Instituições como o IFPB e a UFPB estimulam o desenvolvimento de ideias que evoluem para negócios viáveis. A Agência de Inovação Tecnológica da UFPB (Inova) atua como ponte entre pesquisa acadêmica e mercado, oferecendo suporte técnico, institucional e infraestrutura para startups e spin-offs.
Apesar de estar em crescimento, o setor já impacta economicamente. João Pessoa atrai investidores interessados no potencial local e, segundo dados da prefeitura, a arrecadação das empresas de tecnologia ultrapassa R$ 1 bilhão, beneficiada por incentivos fiscais e atração de negócios. Jaildo Tavares reforça que a conexão de hubs como Farol Digital e Ilha Tech fortalece o ecossistema, atraindo talentos, empresas e investimentos para a cidade.
Com o aumento de startups, cresce também a necessidade de profissionais qualificados e o interesse de novos empreendedores. O próximo desafio é transformar essa evolução em desenvolvimento sustentável, consolidando a Paraíba como referência nacional no segmento tecnológico.