
A Warner Bros. Discovery confirmou acordo para ser adquirida pela Paramount Skydance por US$ 110 bilhões, com a assinatura do contrato ocorrida na manhã de sexta-feira, conforme revela áudio de reunião global da empresa obtido pela Reuters.
Bruce Campbell, diretor de receita e estratégia da Warner, explicou que a Netflix possuía o direito legal de igualar a oferta feita pela Paramount Skydance, mas optou por não exercer essa opção, abrindo caminho para o fechamento do negócio.
“A Netflix tinha o direito legal de igualar a oferta da PSKY. Como todos sabem, eles decidiram por não fazer isso, o que resultou no acordo assinado esta manhã”, afirmou Campbell aos colaboradores.
Nem a Paramount nem a Warner divulgaram comentários oficiais sobre o acordo até o momento.
A negociação, que inclui cerca de US$ 29 bilhões em dívidas, representa uma das maiores reestruturações recentes na indústria de mídia de Hollywood. A transação criará um dos maiores estúdios cinematográficos do mundo, permitindo à Paramount explorar o vasto portfólio da Warner, que inclui franquias renomadas como “Animais Fantásticos” e “Matrix”.
Além disso, a operação reforça a estratégia da Paramount no segmento de streaming. A possível integração entre HBO Max e Paramount+ pode ampliar a participação de mercado do novo grupo e intensificar a competição com a Netflix, que atualmente lidera o setor.
A disputa pelo controle da Warner se acirrou quando a Netflix recusou igualar a última oferta da Paramount, fixada em US$ 31 por ação – valor superior à proposta anterior da plataforma de streaming, que era de US$ 27,75 por ação.
Liderada por David Ellison, a Paramount demonstrou interesse na Warner desde o final do ano passado, promovendo uma ofensiva para assumir a companhia. Na oferta revisada, a empresa aumentou a multa rescisória em caso de reprovação regulatória de US$ 5,8 bilhões para US$ 7 bilhões.
A investidora ativista Ancora Holdings, que detém participação minoritária na Warner, também pressionou a empresa para avançar nas negociações com a Paramount.
Mesmo com o acordo firmado, a fusão ainda deverá passar por rigorosa análise antitruste em Washington e outros países, além de avaliações previstas em estados americanos, como a Califórnia. Parlamentares de diferentes espectros políticos já expressaram preocupação com a possibilidade de que a consolidação reduza a concorrência e encareça os preços para os consumidores.
Operadores do setor cinematográfico manifestam receio quanto ao impacto da união dos estúdios, que pode resultar em cortes de empregos e redução no número de lançamentos em salas de cinema.