
Com a chegada do outono, Salvador enfrenta um aumento significativo nas chuvas, caracterizando esse período como o mais crítico do ano para a cidade em termos de precipitação. Segundo a Defesa Civil local, esse fenômeno não é algo isolado, mas sim um padrão climático histórico e bem documentado. Somente em abril, foram registrados cerca de 300 mm de chuva, e na última semana, uma frente fria provocou médias de 156 mm em bairros como Rio Vermelho e Barris, enquanto áreas como Pirajá e Marechal Rondon tiveram aproximadamente 143 mm no mesmo período.
De acordo com Gabriel Pugliese, meteorologista e coordenador do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador, o volume de chuva concentra-se principalmente entre abril (285 mm), maio (300 mm) e junho (238 mm), seguindo dados do Instituto Nacional de Meteorologia baseados em 30 anos de normas climatológicas. Ele destaca que este padrão deixa claro que o outono é o período mais crítico do ponto de vista hidrometeorológico para a capital baiana.
O especialista ainda explica que o aumento das chuvas acontece devido à atuação combinada de sistemas meteorológicos típicos do litoral nordestino, como as frentes frias que avançam pela região, cavados, áreas de baixa pressão e ondas de leste, que promovem chuvas constantes na faixa costeira. Além disso, os ventos úmidos do Oceano Atlântico são fundamentais para manter altos níveis de umidade na atmosfera local.
Giuliano Carlos, meteorologista da Codesal, aponta que nos últimos anos houve mudanças nesse padrão tradicional. Ele observa que eventos de chuva intensa estão acontecendo fora do período esperado, devido, possivelmente, às mudanças climáticas e às alterações na temperatura da superfície do Atlântico, que modificam a dinâmica atmosférica e provocam extremos meteorológicos.
Mesmo com essas variações, a previsão para os próximos três meses é que as chuvas fiquem dentro das médias climatológicas. Para isso, a Defesa Civil intensificou o monitoramento dos fenômenos meteorológicos, utilizando imagens de satélite, radares e uma rede integrada de estações pluviométricas, meteorológicas, hidrológicas e geotécnicas distribuídas estrategicamente pela cidade, buscando antecipar ações e reduzir riscos.
Além disso, o órgão realiza um acompanhamento constante das áreas críticas de alagamento para identificar intervenções como limpeza de canais, demolições e instalação de lonas de proteção. A Operação Chuva, iniciada em 1º de abril, divide suas ações em duas fases: preparação, intensificada desde março, e a fase de alerta, entre abril e junho, quando são aplicados protocolos de monitoramento e resposta.
Nas etapas preventivas, a prefeitura instalou tecnologias de proteção de encostas em 584 áreas, com outras 184 em intervenção. Entre janeiro e março, foram colocados mais de 24 mil metros quadrados de lonas plásticas em 169 locais de risco, além da realização de limpeza de bueiros e canais, drenagem, manutenção de escadarias e remoção de resíduos. Simulados de evacuação também foram feitos para orientar moradores em casos de deslizamentos.
A Codesal mantém atendimento ininterrupto pelo telefone gratuito 199 e oferece um serviço gratuito de alertas via SMS, que pode ser ativado enviando o CEP da residência para o número 40199. Estas ações buscam ampliar a segurança dos moradores frente ao aumento das chuvas no período.