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Mais que uma passagem: Paraíba garante transporte gratuito para autistas e acompanhantes
16 de maio de 2026 / 17:26
Foto: Divulgação

O sonho de abrir o próprio negócio e ver a engrenagem da independência financeira girar tem sido substituído, para milhares de paraibanos, pelo som persistente das notificações de cobrança. O cenário da inadimplência empresarial no estado atingiu um patamar crítico: cerca de 90 mil empresas estão atualmente com as contas no vermelho, acumulando uma montanha de dívidas que já encosta na marca de 1 bilhão de reais, de acordo com os dados mais recentes da Serasa. Por trás de cada CNPJ negativado, existe um empresário que perde o sono diante da escassez de crédito e da pressa dos boletos que não esperam o caixa girar.

Trabalhar com o orçamento sufocado força o comércio e os pequenos serviços a operarem no limite da sobrevivência. Abre-se a porta pela manhã com uma pergunta incômoda na cabeça: como continuar garantindo a qualidade do atendimento, honrar a folha de pagamento dos funcionários e manter as luzes acesas quando a receita mal dá para cobrir os juros do mês anterior?


A disciplina do caixa e o peso invisível dos juros altos

De acordo com a administradora Consuelo Monguilhott, especialista do Conselho Regional de Administração da Paraíba (CRA-PB), enfrentar essa maré alta exige muito mais do que resiliência; demanda um choque de gestão e um controle financeiro cirúrgico. Com as taxas de juros operando em patamares elevados, buscar dinheiro em banco para cobrir o rombo do dia a dia tornou-se uma armadilha perigosa, que encarece o custo do crédito e drena qualquer capacidade de investimento futuro.

O monitoramento rigoroso do fluxo de caixa e a reorganização imediata das despesas são as ferramentas de defesa que evitam que o endividamento comprometa a operação e resguarde os postos de trabalho. O aperto é ainda mais evidente entre os Microempreendedores Individuais (MEIs) da Paraíba, que carregam, em média, sete pendências financeiras por empresa, com débitos que giram em torno de 24 mil reais — uma quantia que, para o pequeno negócio de bairro, decide se a porta continua aberta ou se encerra as atividades.


O Modo Nordestino de Negociar: A palavra e o valor da confiança

[Xilogravura Afetiva] Nas feiras livres, nos mercados públicos e nas pequenas mercearias do interior da Paraíba, o comércio sempre foi feito olhando no olho. Antes dos cartões e dos sistemas integrados, a maior riqueza de um negociante era o seu nome e o valor da sua palavra empenhada na caderneta. Ver o pequeno empresário paraibano sufocado por dívidas institucionais dói porque fere essa dignidade histórica de quem gosta de honrar o que assume. O modo nordestino de negociar tem na resiliência a sua maior força: o comerciante é o primeiro a chegar, o último a sair e possui uma capacidade hercúlea de se reinventar no meio da crisis para proteger o sustento dos seus e a confiança da sua comunidade.


O efeito dominó que trava o crescimento do estado

O impacto dessa asfixia financeira não fica restrito aos muros das empresas afetadas. Ele se espalha como um efeito dominó que desacelera toda a engrenagem econômica da Paraíba, como explica o economista Erionaldo Araújo. Quando o setor produtivo é forçado a destinar uma parcela expressiva do que arrecada para quitar juros e renegociar pendências antigas, o dinheiro some da circulação real.

Essa dinâmica gera três grandes consequências no mercado local:

  • Retração do Crédito: As instituições financeiras aumentam as exigências e travam as linhas de financiamento, temendo o calote.
  • Queda no Consumo: Sem crédito e com medo do desemprego, as famílias puxam o freio de mão nas compras, afetando diretamente as micro e pequenas empresas, que dependem do consumo imediato.
  • Freio na Empregabilidade: Empresas endividadas interrompem planos de expansão, congelam contratações e, em casos mais graves, iniciam cortes de pessoal.

Sair do vermelho deixou de ser uma meta de planejamento ou um indicador de lucratividade para os negócios paraibanos; transformou-se em uma estratégia urgente de sobrevivência coletiva. Enquanto o ambiente macroeconômico mantiver o custo do dinheiro elevado, a criatividade do empreendedor local e o corte severo de supérfluos serão as únicas barreiras entre a continuidade do sonho e o encerramento definitivo das atividades.

Para acompanhar outras análises e coberturas sobre o mercado de trabalho, finanças e o cenário de negócios no estado, acesse a nossa editoria Preço de Feira.

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