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Protesto de bugueiros bloqueia a PB-008 após fechamento de acesso na Barra de Gramame
18 de maio de 2026 / 11:36
Foto: Divulgação

O tráfego de veículos no Litoral Sul paraibano enfrentou momentos de forte retenção e paralisia no início do dia. Na manhã desta segunda-feira (18), um grupo de bugueiros organizou uma manifestação que culminou no bloqueio total de um trecho estratégico da rodovia estadual PB-008, interrompendo o fluxo principal de acesso ao município de Conde. O protesto da categoria surge como uma reação direta ao fechamento por tempo indeterminado da Praia da Barra de Gramame, provocado por uma mobilização de indígenas da etnia Tabajara, que barram a circulação de automóveis sob a justificativa de danos e severos impactos ambientais na faixa de areia.

A mobilização na rodovia teve início nas primeiras horas do dia, por volta das 6h, reunindo um contingente estimado em cerca de 100 profissionais do volante e operadores do turismo receptivo regional. Utilizando os próprios veículos de trabalho para erguer a barreira, os manifestantes impediram a passagem de carros de passeio, ônibus e caminhões de carga, travando a ligação asfáltica. Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura Municipal de Conde não havia emitido nenhum posicionamento ou nota oficial sobre o conflito de trânsito ou sobre as reivindicações apresentadas.

Categoria apoia causa indígena, mas cobra o direito ao trabalho

De acordo com o presidente da Cooperativa Paraibana de Turismo (Coopertur) e um dos principais organizadores do ato, Thiago Raulino, o foco central do bloqueio na rodovia é forçar uma mesa de diálogo em relação à barreira imposta à beira-mar, medida que atinge em cheio o faturamento e a subsistência de dezenas de famílias que dependem do guiamento de visitantes. Raulino ponderou que a categoria respeita o território e as demandas dos povos tradicionais, mas pontuou que o setor busca uma flexibilização que permita a circulação controlada para o desenvolvimento das rotas turísticas.

“Nós somos a favor do protesto indígena. Entendemos a causa, sabemos que são povos originários e têm direito a essas terras, mas estamos pedindo apenas o acesso para o trabalho dos bugueiros na área”, declarou o líder da Coopertur. Em complemento às cobranças sobre a Barra de Gramame, os motoristas cooperados aproveitaram o espaço público para manifestar forte insatisfação contra a falta de manutenção do poder público nas vias secundárias do litoral de Conde, queixando-se de buracos e falhas na infraestrutura asfáltica.

Preservação de ninhos de tartaruga motiva restrição dos Tabajaras

Do outro lado do impasse, a comunidade indígena sustenta que a medida drástica de isolar a praia é uma necessidade urgente de sobrevivência do ecossistema local. O cacique Edvaldo Tabajara justificou que o livre trânsito de buggys e quadriciclos na areia vem destruindo ninhos de tartarugas marinhas, esmagando a vegetação nativa de guajirus e gerando um acúmulo descontrolado de lixo nas praias. Segundo a liderança indígena, a restrição de tráfego já está em vigor há mais de 60 dias, e não há qualquer previsão de reabertura dos acessos tradicionais.

O impasse na PB-008 traz à tona um debate complexo sobre o ordenamento do uso do solo e o limite da exploração comercial em áreas de preservação ou de interesse social e cultural. Enquanto os órgãos de segurança viária acompanham a dispersão do movimento na rodovia, o mercado de turismo paraibano acompanha com atenção os desdobramentos, ciente de que o equilíbrio entre o sustento econômico e o respeito à ancestralidade e ao meio ambiente exigirá paciência e mediação das autoridades estaduais.

Onde o rio se encontra com o mar nas belezas de Gramame, o chão que sustenta os passos dos antigos moradores hoje choca com a roda dos carros que carregam os visitantes de fora. Ver a estrada do Conde fechada por conta de um protesto é o aviso de que a nossa terra está tentando achar o prumo certo entre a beleza que gera o pão do turismo e a obrigação de zelar pela natureza sagrada que Deus nos deu. O bugueiro que quer o direito de trabalhar e o índio que defende o ninho da tartaruga no pé da areia são duas forças de uma mesma Paraíba que precisa aprender a conversar. Afinal de contas, longe das brigas e dos bloqueios na pista, a terra é uma só e precisa de cuidado para continuar viva e bonita para os filhos que ainda vão nascer.

Para acompanhar o andamento do trânsito na PB-008, as decisões ambientais sobre as praias do Litoral Sul, reuniões de mediação e o impacto no turismo da nossa região, acesse a nossa editoria Cotidiano.

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