
O Parque da Cidade, projetado para ocupar a área do antigo Aeroclube de João Pessoa, tornou-se um dos temas mais debatidos da capital paraibana. Com investimento estimado em aproximadamente R$ 120 milhões, o empreendimento é apresentado pela Prefeitura como uma intervenção estratégica capaz de ampliar áreas de lazer, fortalecer o turismo urbano e melhorar a qualidade de vida na região norte da cidade.
Desenvolvido em parceria com o escritório de paisagismo Burle Marx, o projeto também é apontado pela gestão municipal como uma ferramenta de requalificação urbana para uma área que vem passando por forte valorização imobiliária nos últimos anos. No entanto, a iniciativa também desperta questionamentos sobre impactos ambientais, preservação da biodiversidade e o modelo de desenvolvimento adotado por João Pessoa.
Falta de arborização é uma das principais críticas
Entre os pontos mais discutidos por moradores e especialistas está a percepção de que o projeto apresenta pouca presença de árvores de grande porte e áreas de sombra, elementos considerados fundamentais para parques urbanos em regiões de clima quente.
Nas redes sociais e fóruns locais, muitos moradores defendem que a futura área verde priorize vegetação consolidada capaz de oferecer conforto térmico, biodiversidade e convivência mais agradável ao longo do dia.
O debate ocorre em um contexto de rápida expansão imobiliária em bairros como Aeroclube, Bessa, Jardim Oceania e Altiplano. A valorização dos imóveis e o aumento dos aluguéis têm sido frequentemente apontados por moradores como reflexos do crescimento acelerado da cidade, gerando discussões sobre acessibilidade urbana e qualidade de vida.
Projeto pode impulsionar turismo e mercado imobiliário
Do ponto de vista econômico, especialistas apontam que o Parque da Cidade possui potencial para gerar impactos positivos em diferentes setores. Entre eles estão a valorização imobiliária do entorno, o fortalecimento do turismo urbano, a atração de investimentos privados e a criação de novos corredores comerciais.
Urbanistas destacam que cidades competitivas no cenário turístico moderno não dependem apenas de atrativos naturais, como praias, mas também de espaços públicos qualificados capazes de ampliar a oferta de lazer para moradores e visitantes.
Nesse cenário, o parque é visto por defensores como uma oportunidade de ampliar a infraestrutura urbana da capital e criar um novo polo de convivência para a população.
Disputa judicial ainda influencia o andamento do projeto
Além das discussões urbanísticas e ambientais, o empreendimento também enfrenta desafios jurídicos. Desde 2024, o projeto é alvo de disputas judiciais relacionadas à necessidade de estudos ambientais mais aprofundados.
A Justiça da Paraíba determinou a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) antes do avanço das obras. O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o ministro Herman Benjamin destacou a importância da preservação da biodiversidade em áreas sensíveis, incluindo ecossistemas de restinga e cordões arenosos.
Em maio do ano passado, o Tribunal de Justiça da Paraíba autorizou a retomada das obras, permitindo a continuidade do cronograma estabelecido pela Prefeitura. A gestão municipal trabalha atualmente com previsão de conclusão do empreendimento até 2028.
Enquanto o projeto avança, o debate permanece aberto. De um lado, há quem veja o parque como uma ferramenta necessária para equilibrar crescimento urbano e oferta de espaços públicos. Do outro, moradores e ambientalistas defendem que a proposta só cumprirá plenamente seu papel se garantir efetiva recuperação ambiental, arborização robusta e benefícios concretos para a população.
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