
Muito antes dos dinossauros caminharem sobre a Terra, as paisagens serranas da Ibiapaba, no Ceará, estavam submersas por um vasto oceano. A prova definitiva dessa transformação geológica está em um fragmento de rocha de aproximadamente 700 kg, encontrado no Parque Nacional de Ubajara. A peça contém vestígios de invertebrados marinhos que datam de cerca de 430 milhões de anos atrás.
A descoberta é fruto de um trabalho colaborativo entre o Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (Labopaleo/UVA), o Museu Dom José, o ICMBio e a comunidade local de Tianguá, com destaque para o apoio da moradora conhecida como “Rosinha” e sua família.
Da Pesquisa Acadêmica ao Patrimônio Público
O fóssil possui uma trajetória que une ciência e educação. O professor Jarbas de Negreiros, coordenador do Labopaleo/UVA, utilizou o fragmento em sua dissertação de mestrado e em projetos de iniciação científica com estudantes do ensino médio, buscando aproximar os jovens do patrimônio geológico do estado.
Atualmente, a rocha faz parte do acervo do Museu Dom José, mas está sob empréstimo por tempo indeterminado ao Parque Nacional de Ubajara. O objetivo é garantir que tanto turistas quanto pesquisadores tenham acesso permanente à peça, que funciona como um “portal” para o passado remoto da região.
A Relevância da Descoberta
A equipe responsável pelo estudo reúne especialistas renomados, como a paleontóloga Maria Somália Sales e pesquisadores da UFC e UVA. Para os estudiosos, o achado em Tianguá é fundamental para compreender as drásticas mudanças climáticas e territoriais que moldaram o Brasil ao longo das eras.
Além do valor científico, a presença do fóssil no Parque de Ubajara enriquece o roteiro cultural e turístico da Serra da Ibiapaba, transformando a geologia em um pilar de identidade local.
Portanto, o mar que um dia cobriu as serras hoje banha a região com conhecimento e preservação histórica. Para acompanhar outras descobertas e roteiros científicos no estado, acesse nossa editoria Saberes do Povo.