
A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil gera preocupações no setor sucroenergético da Paraíba. Conforme Nota Técnica do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool, projetos no Congresso Nacional trazem riscos à competitividade regional. Entre as propostas analisadas estão o PL 1.838 de 2026, que sugere 40 horas semanais, e a PEC 221 de 2019, que prevê 36 horas. Além disso, a PEC 8 de 2025 propõe a adoção da semana de quatro dias de trabalho.
O setor alerta que essas mudanças desconsideram as particularidades de atividades com operação contínua e forte sazonalidade. Atualmente, a cadeia representa cerca de 3% do PIB paraibano e gera 20 mil empregos diretos no Litoral e Agreste. Por ser estratégica para o desenvolvimento rural, qualquer alteração drástica impacta diretamente a geração de renda local.
Desafios operacionais e aumento de custos nas usinas
Durante o período de safra, as usinas funcionam 24 horas por dia. Qualquer interrupção compromete a produção de açúcar, etanol e bioenergia. O sindicato destaca que reduzir a jornada para 40 horas exigiria um aumento de até 10% no quadro de funcionários. Em jornadas de 36 horas, esse acréscimo poderia ultrapassar os 20%.
Entretanto, encontrar mão de obra qualificada para ampliar as equipes rapidamente representa um desafio enorme para as empresas. As usinas do Nordeste são ainda mais vulneráveis devido à curta janela de produção. Consequentemente, o aumento nos custos trabalhistas pode acelerar a automação industrial. Embora a tecnologia melhore a eficiência, ela pode reduzir a oferta de empregos no médio prazo.
Defesa de modelos diferenciados e sustentabilidade
O sindicato defende que a legislação considere as especificidades do setor sucroenergético da Paraíba. A entidade propõe modelos diferenciados para atividades contínuas e o fortalecimento da negociação coletiva. O objetivo é equilibrar a produtividade com as condições de trabalho de forma sustentável.
Vale ressaltar que o setor possui papel fundamental na matriz energética brasileira. A produção de combustíveis renováveis e energia limpa é estratégica para a transição para uma economia de baixo carbono. Para entender mais sobre as discussões legislativas, você pode acessar o portal da Câmara dos Deputados. Além disso, acompanhe as análises econômicas no site da Confederação Nacional da Indústria (CNI).